1º Princípio de uma Economia Descentralizada
Todos os recursos na unidade sócio-económica devem ser controlados pela população local.
Em particular, os recursos necessários para produzir os artigos
básicos devem ser controlados localmente, e as indústrias
envolvidas nesta produção devem estar inteiramente nas
mãos de pessoas da região. As matérias primas
locais devem ser totalmente utilizadas para produzir todos os tipos de
artigos necessários ao desenvolvimento económico da
unidade sócio-económica.
Designa-se por população local o conjunto daquelas que
fundirão os seus interesses económicos individuais com os
da unidade sócio-económica onde vivem. Claramente, este
conceito de população local não tem qualquer
relação com a raça, casta, credo, língua ou
local de nascimento de cada indivíduo. O ponto fundamental
é saber se cada pessoa ou família identifica os seus
interesses sócio-económicos individuais com os interesses
colectivos da respectiva unidade sócio-económica. Aqueles
que não o fazem devem ser rotulados de “outsiders”.
A nenhum “outsider” deve ser permitido interferir com
os assuntos económicos locais, no sistema de
produção e de distribuição, se não
estaremos em presença de uma população flutuante,
causando um fluxo para o exterior da riqueza económica gerada na
área local. Se isto ocorrer a zona tornar-se-á
vulnerável à exploração económica
proveniente do exterior e a importância da economia
descentralizada será reduzida.
Este excedente de riqueza, depois de satisfazer os requisitos
mínimos da população da área local, deve
ser distribuído entre as pessoas com aptidões especiais,
de acordo com o seu grau de mérito. Por exemplo, médicos,
engenheiros, cientistas e outras pessoas capazes de se envolverem em
várias actividades de valor colectivo requerem benefícios
extra, de forma a puderem desempenhar um melhor serviço à
sociedade. Enquanto que uma pessoa comum, num determinado sistema
económico, precisará de uma bicicleta, um médico
necessitará de um carro. No entanto, terá de haver a
preocupação de reduzir esse intervalo entre os requisitos
mínimos de todos e os benefícios das pessoas envolvidas
em actividades de valor para a sociedade. O esforço para
aumentar o padrão de vida das pessoas comuns poderá
passar, no exemplo anterior, pela facilidade de aquisição
de “scooters” em vez da bicicleta. Embora haja
diferenças entre este veículo de transporte e um carro, o
intervalo existente entre o automóvel e a bicicleta foi
parcialmente reduzido. O intervalo económico entre as pessoas
comuns e as com capacidades especiais deve ser reduzido tanto quanto
possível, mas este nunca desaparecerá. Se este intervalo
voltar a crescer, as pessoas comuns perderão e a
exploração económica voltará a emergir na
sociedade. Isto não acontece numa economia descentralizada
porque, por um lado, o nível dos requisitos mínimos
será progressivamente elevado ao longo do tempo, por outro, os
benefícios a distribuir serão avaliados do ponto de vista
colectivo.