Proutista Universal - Portugal
Um novo mundo é possível

1º Princípio de uma Economia Descentralizada

Todos os recursos na unidade sócio-económica devem ser controlados pela população local.

Em particular, os recursos necessários para produzir os artigos básicos devem ser controlados localmente, e as indústrias envolvidas nesta produção devem estar inteiramente nas mãos de pessoas da região. As matérias primas locais devem ser totalmente utilizadas para produzir todos os tipos de artigos necessários ao desenvolvimento económico da unidade sócio-económica.

Designa-se por população local o conjunto daquelas que fundirão os seus interesses económicos individuais com os da unidade sócio-económica onde vivem. Claramente, este conceito de população local não tem qualquer relação com a raça, casta, credo, língua ou local de nascimento de cada indivíduo. O ponto fundamental é saber se cada pessoa ou família identifica os seus interesses sócio-económicos individuais com os interesses colectivos da respectiva unidade sócio-económica. Aqueles que não o fazem devem ser rotulados de “outsiders”.

A nenhum “outsider”  deve ser permitido interferir com os assuntos económicos locais, no sistema de produção e de distribuição, se não estaremos em presença de uma população flutuante, causando um fluxo para o exterior da riqueza económica gerada na área local. Se isto ocorrer a zona tornar-se-á vulnerável à exploração económica proveniente do exterior e a importância da economia descentralizada será reduzida.

Este excedente de riqueza, depois de satisfazer os requisitos mínimos da população da área local, deve ser distribuído entre as pessoas com aptidões especiais, de acordo com o seu grau de mérito. Por exemplo, médicos, engenheiros, cientistas e outras pessoas capazes de se envolverem em várias actividades de valor colectivo requerem benefícios extra, de forma a puderem desempenhar um melhor serviço à sociedade. Enquanto que uma pessoa comum, num determinado sistema económico, precisará de uma bicicleta, um médico necessitará de um carro. No entanto, terá de haver a preocupação de reduzir esse intervalo entre os requisitos mínimos de todos e os benefícios das pessoas envolvidas em actividades de valor para a sociedade. O esforço para aumentar o padrão de vida das pessoas comuns poderá passar, no exemplo anterior, pela facilidade de aquisição de “scooters” em vez da bicicleta. Embora haja diferenças entre este veículo de transporte e um carro, o intervalo existente entre o automóvel e a bicicleta foi parcialmente reduzido. O intervalo económico entre as pessoas comuns e as com capacidades especiais deve ser reduzido tanto quanto possível, mas este nunca desaparecerá. Se este intervalo voltar a crescer, as pessoas comuns perderão e a exploração económica voltará a emergir na sociedade. Isto não acontece numa economia descentralizada porque, por um lado, o nível dos requisitos mínimos será progressivamente elevado ao longo do tempo, por outro, os benefícios a distribuir serão avaliados do ponto de vista colectivo.