Proutista Universal - Portugal
Um novo mundo é possível

A Economia como se todos os seres vivos fossem importantes
(Parte 1)

O economista Britânico, E.F. Schumacher, referiu a necessidade de uma nova ciência económica, “uma economia como se as pessoas fossem importantes”. Ao fazê-lo, ele evidenciou o falhanço primordial do presente sistema económico: a falta de preocupação humanista pelo bem estar das pessoas e dos outros seres.

Ele advoga que o monopólio capitalista e o estado socialista reclamam que o seu respectivo sistema económico é o caminho para a prosperidade universal. Muita propaganda sofisticada tem sido lançada para apoiar tais proclamações. Mas a dura realidade da vida das pessoas comuns revela as mentiras contidas na propaganda. Alienação dos trabalhadores, grandes disparidades económicas, pobreza dissiminada, destruição ambiental, a erosão dos valores morais e espirituais, entre outros efeitos negativos do capitalismo e do comunismo evidenciam que estes não são sistemas económicos que possam servir a humanidade no seu todo. Eles podem beneficiar uma pequena elite, mas para o resto da humanidade, a exploração económica e a miséria psíquica são as consequências inevitáveis.

De facto, o bem estar de toda a biosfera é ameaçado pela ganância destes exploradores. Através de propagenda talentosa e com o acenar de alguns bens materiais, eles podem induzir nas massas a aceitação do status-quo por mais algum tempo, contudo a crescente insatisfação das pessoas eventualmente levará à busca de um novo e melhor sistema económico. Quando a próxima depressão nos atingir, esta insatisfação crescerá como um fogo indomável.

Novos valores económicos ganham popularidade: descentralização, propriedade dos recursos, propriedade cooperativa dos negócios, democracia económica e tecnologia apropriada ao meio ambiente. Estes conceitos não são compatíveis nem com as ecomomias capitalita nem comunista. Estas abordagens são igualmente inaceitáveis para o Presidente do Concelho de Admnistração do Citibank, como para o Comissário Chinês da Indústria. Esta ideias novas  não maximizam os lucros das empresas nem consolidam a flor do estado centralista. Mas certamente reflectem o espiríto humanista. Elas nasceram de uma preocupação de prosperidade para toda a humanidade, indiciando uma emergência da “economia como se todos os seres vivos fossem importantes”.

P.R. Sarkar, na sua Teoria da Utilização Progressiva (PROUT), partilha do sentimento de Schumacher. Sarkar afirma que, “ como qualquer outro problema, os problemas económicos têm apenas uma solução: amor genuíno pela humanidade.” A filosofia social apresentada por Sarkar apresenta uma preocupação, com compaixão, pelo bem estar universal. O sentimento universalista está enraizado numa visão espiritual da vida. A espiritualidade apresentada por Sarkar não é um misticismo que permanece afastado da pressão dos problemas que a humanidade enfrenta. Em vez disso, ele reconhece que a obtenção de conhecimento espiritual poderá ser melhor alcançado numa sociedade livre de qualquer forma de exploração ou opressão.

Herança Cósmica

O ponto fundamental para a compreensão da economia de Prout assenta no princípio de herança cósmica. Este evidencia que todos os recursos do universo foram criados para o benefício de todos os seres, e o acesso a estes recursos é um direito básico de todos.

Os seres humanos não criaram a luz solar que nos fornece energia útil, a vegetação que nos alimenta, nem os minerais que são transformados em ferramentas ou materiais de construção. No máximo, trabalhamos para extrair, processar e transformar as matérias primas em itens úteis para o nosso bem estar. Como não somos os criadores originais dos recursos que usamos, não podemos reclamar a propriedade pessoal desta riqueza. A propriedade última só pode pertencer às forças cósmicas criadoras. Esta compreensão conduz-nos ao reconhecimento de que cada pessoa tem direito à sua quota parte dos recursos, mas teremos de utilizar a nossa herança comum com espirito cooperativo.

Economia de Bem Estar Colectivo

Prout define riqueza como sendo aquilo que tem utilidade em satisfazer as necessidades humanas – quer ao nível físico, psíquico ou espiritual. A finalidade apropriada da riqueza reside no seu valor prático para sustentar a existência humana. A satisfação das necessidades humanas é a força motora do sistema económico baseado na teoria económica de Prout. Podemos, então, designar de economia de bem estar colectivo.

Consistente com o princípio da Herança Cósmica, Prout vê as pessoas como admnistradoras – não proprietárias – dos recursos. Defende-se que as terras de cultivo devem ser geridas cooperativamente por aqueles que cultivam o solo, que as fábricas estejam debaixo do controlo colectivo daqueles que operam a maquinaria de produção. Isto é, as empresas económicas devem ser controladas democraticamente pelas pessoas que trabalham nelas.

Garantia das Necessidades Mínimas de Vida

Uma comunidade harmoniosa nunca poderá ser implementada enquanto as pessoas sofrerem para conseguir satisfazer as suas necessidades mínimas, para sustentar uma vida digna. A falta de alimentos, habitação e de outras necessidade conduz aqueles que são pobres a tomarem medidas desesperadas para a sua própria sobrevivência. Além disso, para a humanidade reconhecer a sua unidade espiritual, as pessoas devem lutar pela  elevação da sua própria consciência, mas aqueles que vivem apenas preocupados com a sua sobrevivência, simplesmente não podem dispender tempo para o seu crescimento espiritual. Assim, a justiça económica é um pré requisito para que o sentimento de benevolência humana se possa tornar numa realidade universal, no mundo objectivo (no nosso exterior).

Para criarmos  uma economia de bem estar colectivo, o primeiro princípio a aplicar é a garantia das necessidades básicas para todos. Cada pessoa deve ter à sua disposição alimentos, vestuário, cuidados médicos, educação e outros bens e serviços fundamentais, necessários ao seu desenvolvimento integral.

Prout não apela apenas à garantia das necessidades básicas, mas também insiste em que a sociedade deve aumentar a oferta de bens e serviços em quantidade e qualidade ao longo do tempo. Por exemplo, a garantia da educação ao nível do secundário pode ser apropriada para a nossa era, mas no futuro, a oportunidade de estudo por um período mais longo, deverá abranger um maior número cada vez maior de pessoas. De igual modo os padrões de habitação, nutrição, medicamentos, transporte e vestuário terão de avançar de forma progressiva.

No próximo artigo apresentaremos as quatro condições básicas para que a sociedade esteja em posição de garantir os requisitos mínimos a todos.

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