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Economia como se todos os seres vivos fossem importantes
(Parte 2)
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1. Deve ser garantido uma disponibilidade de itens para satisfação das necessidades básicas.
A economia de uma sociedade deve ter o potencial de produzir
mercadorias de consumo básicas, com a produção
destas a ter prioridade sobre os bens de luxo, agricultura
industrial, artigos exclusivamente para exportação,
armamento, etc.
A satisfação das necessidades básicas
não pode ser assegurada onde a actividade económica
está espartilhada pela lógica exclusiva da
maximização do lucro. Se o sistema económico
permite a obtenção rápida de lucros elevados, os
capitalistas tenderão a investir o seu capital na
produção de: artigos de luxo, produtos provenientes
da agricultura industrial (monocultura), bens para
exportação, armamento, ou realizarão investimentos
na bolsa de valores, no imobiliário, em bens financeiros e no
comércio de futuros1.
Apesar dos estados comunistas terem dado ênfase à
produção de artigos básicos, a disponibilidade
destes para satisfazer as necessidades básicas das pessoas
não poderiam ser completamente asseguradas quando a economia
servia os interesses de um estado ditatorial. A indústria pesada
- tão necessária para a glorificação
militar - tinha prioridade sobre a indústria ligeira orientada
para os consumidores civis e sobre a agricultura. Enquanto que os
militares estavam bem fornecidos de armas, a comida era racionada e a
habitação limitada.
2. A sociedade deve garantir poder de compra a todos os seus membros.
A economia pode até produzir os bens para a
satisfação das necessidades básicas, mas
será pouco útil para as pessoas que estão
desempregadas e por isso sem terem poder de compra suficiente.
O poder de compra será assegurado numa economia baseada nos
princípios de Prout, através de criação de
empregos com o adequado pagamento de salários. A nossa teoria
não favorece uma abordagem de estado social para
protecção das pessoas com pouco rendimento. Esta
abordagem demonstra falta de respeito pela dignidade, nem uma correcta
apreciação das aspirações humanas. As
actividades económicas devem dar oportunidade de
expressão do potencial humano de cada indivíduo. Claro
que, para aqueles incapazes de trabalhar devido a dificuldades
físicas e/ou mentais, uma assistência financeira
será fornecida pela sociedade.
O esforço para acabar com o desemprego na sociedade é
problemático na sociedade actual. O nível alto de
desemprego é um fenómeno persistente, apesar de
várias tentativas pelos líderes políticos de
criarem postos de trabalho. Existem várias causas importantes
para um nível de desemprego elevado, encerramento de
fábricas, escassez de crédito devido a deficits no
orçamento do estado, diminuição de investimento
pelos grandes conglomerados empresariais e a natureza depressiva dos
gastos excedentários com o armamento. Estes problemas são
inerentes ao modelo capitalista americano. A economia de bem estar de
Prout não enfrentará estas causas do desemprego.
Mas o que dizer sobre o desemprego criado pela automação?
Como pode ser gerido? Será que uma economia baseada em Prout
rejeitará a introdução do progresso
tecnológico de forma a evitar que trabalhadores sem
qualificação ou semi-qualificados percam os postos de
trabalho tornados obsoletos? De forma alguma. Prout propõe um
rumo progressivo da acção. Se os ganhos de
produção podem ser realizados com a
introdução de novo equipamento, então
deverá haver uma correspondente redução no tempo
de trabalho durante o dia, mantendo o mesmo nível de
salário. Se podemos desenhar robots e outras máquinas que
trabalharão para nós, porque teremos de continuar a
trabalhar oito horas por dia? Com mais tempo disponível,
libertado das linhas de montagem das indústrias pela tecnologia,
poderemos ser livres para dedicar-nos a actividades criativas e
orientados para o nosso crescimento pessoal.
3. Deve haver restrições à acumulação individual de riquezas físicas.
A falta de restrições na acumulação de
riquezas resulta numa grande concentração destas nas
mãos de poucos, contrastando com a escassez de muitos. Quando
uma elite pouco numerosa possui um grande excesso, então muitos
outros na sociedade não terão a sua porção.
De facto, a concentração de riqueza por gananciosos
financeiros, industriais e grandes proprietários de terra
é a principal causa de extrema pobreza no nosso mundo actual.
O direito de todas as pessoas de desfrutar a liberdade de desejar e ter
os bens necessários ao seu crescimento deve ser visto como
básico, mais importante do que o direito à
acumulação pessoal irrestrita. Por isso, a sociedade deve
colocar limites à propriedade pessoal.
Estes limites à acumulação devem ser ajustados a
circunstâncias específicas e ao longo do tempo. Uma
família com cinco crianças poderá manter uma
grande poupança no banco, maior do que um casal sem filhos. Onde
o custo de vida é maior os limites também
devem ser ajustados. No futuro, quando mais objectos
electrónicos se tornarem necessidades básicas, os
níveis de acumulação permitida da riqueza
física serão aumentados proporcionalmente para toda a
sociedade.
Prout apela a limitações na acumulação de
riqueza física, mas também advoga excepções
a indivíduos e famílias com necessidades ou
méritos especiais. Na política de limitação
da acumulação pessoal de riqueza física, Prout
defende um balanço dos interesses individuais e colectivos.
Enquanto que a sociedade deve restringir acumulação
individual de bens, esta não deve ser demasiada severa de forma
a dificultar o desenvolvimento espiritual, mental ou físico dos
indivíduos.
4. Deve haver uma distribuição justa e razoável da riqueza.
Distribuição racional enfatiza equidade económica,
mas também considera as diversas necessidades das pessoas.
Assim, as necessidade mínimas devem ser garantidas a todos, mas
a distribuição deve ser ajustada de forma a ter em conta
diferentes necessidades, devido a variações dos locais de
residência, situações pessoais, e gostos
específicos dos indivíduos. Por exemplo, a
habitação e a roupa necessária no Alasca é
muito diferente de um residente na Florida. E as necessidades de
cuidados médicos de um indivíduo com um
constituição saudável são inferiores a uma
pessoa com doença crónica. Estas diferenças de
necessidades e gostos devem ser tidas em consideração
pela sociedade.
Distribuição racional também enfatiza a
importância dos incentivos. Prout não segue a
noção utópica de que as pessoas trabalharão
por inclinação natural. Nem defende que incentivos
psicológicos, i.e. reconhecimento social pelo trabalho exemplar,
será suficiente para motivar as pessoas a produzir. Incentivos
materiais desempenham um papel importante num sistema económico
baseado nesta Teoria.
Nem toda a capacidade produtiva de uma economia “proutista”
será utilizada na produção de bens para satisfazer
necessidades básicas. Haverá um conjunto de bens
materiais produzidos que serão utilizados como incentivos. Estes
serão distribuídos aos trabalhadores de mérito,
cujo trabalho tem um valor especial para a sociedade.
Estes incentivos serão dados sob a forma de bens e
serviços utilizáveis. Por exemplo, um cientista dotado e
dedicado será fornecido equipamento especializado de pesquisa.
Ou a um trabalhador especializado em assistência
humanitária dedicado, seria fornecido equipamento de
rádio de alta qualidade ou um veículo todo-o-terreno.
Desta forma, estes incentivos servirão para promover o bem
colectivo e acelerar o desenvolvimento produtivo dos indivíduos.
A distribuição de incentivos desta forma irá
ajudar a promover um aumento rápido do padrão de vida de
todos.
Os planeadores económicos terão de fazer um ajustamento
apropriado entre as proporções de riqueza alocadas
às necessidades básicas e aos incentivos. O efeito destes
ajustamentos será um equilíbrio dinâmico entre a
minimização das diferenças económicas entre
as pessoas e a maximização da motivação
através dos incentivos.