Um exemplo cooperativo de sucesso: Mondragón
Mondragón Cooperative Corporation (Espanhol:
Mondragón Corporación Cooperativa - o MCC) é um grupo de produção
industrial e de empresas de distribuição sedeadas no país basco e
também no resto de Espanha, bem como no estrangeiro. É uma das maiores
cooperativas de trabalhadores do mundo.
Fundação
A
empresa foi fundada em Arrasate, uma cidade em Gipuzkoa, ou Mondragón
na língua castelhana. A cidade sofreu imenso durante a guerra civil
espanhola, assistindo-se a um elevado nível de desemprego. Um jovem
padre católico, José María Arizmendiarrieta, chegou em 1941 e decidiu
focalizar-se no desenvolvimento económico da cidade, tendo por base os
métodos cooperativos para conseguir os seus objectivos. Já existia uma
tradição de organizações cooperativas e de auto ajuda, mas foram
destruídas com a guerra.
Em 1943, Arizmendi fundou uma escola
politécnica democraticamente controlada. A escola desempenhou um papel
chave no ressurgimento e no desenvolvimento do movimento cooperativo.
Em 1956, cinco graduados novos da escola fundaram a primeira empresa
cooperativa, denominada ULGOR (agora Fagor Electrodomésticos) após a
junção das iniciais dos seus sobrenomes, que durante os primeiros anos
dedicaram-se à produção de aquecedores e de fogões. Em 1959, criaram a
“Caja Laboral Popular”, uma união de crédito com o objectivo de
permitir aos seus membros cooperativos o acesso aos serviços
financeiros e o fornecimento de fundos para empreendimentos
cooperativos novos.
Novas empresas cooperativas surgiram nos
anos seguintes, incluindo a “Fagor Electrónica”, a “Fagor Ederlan” e a
“Danobat”. Entendeu-se também convidar outras cooperativas para se
juntarem ao grupo, oferecendo-se o apoio necessário a algumas empresas
com dificuldades económicas na condição de se transformarem em
cooperativas.
As empresas do grupo dão a preferência às “suas
irmãs”. Os trabalhadores das cooperativas controlam as finanças das
cooperativas através da “Caja Laboral”, têm seguros de saúde e fundos
de pensão em “Lagun Aro” e têm descontos na cadeia de distribuição de
“Eroski” e em equipamentos da “Fagor”. As lojas de Eroski são
fornecidas por caminhões pertencentes às cooperativas. Os membros podem
ter estudado em “ikastola” e prosseguido os seus estudos na
Universidade de Mondragoón, tendo ao mesmo tempo um estágio numa
cooperativa.
Quando uma cooperativa tem um problema económico,
os trabalhadores preferem fazer cortes nas despesas do que a proceder a
“Layoffs”. Se a situação for muito má, os trabalhadores excedentários
são integrados noutras cooperativas do grupo temporariamente.
Desenvolvimentos actuais
Nos
anos 80, várias empresas responderam às pressões do globalização
juntando-se à “Mondragón Cooperativo Corporation”. O MCC é agora a
maior estrutura empresarial do país basco, a sétima maior de Espanha. É
considerada a maior cooperativa de trabalhadores do mundo. Em 2002 o
MCC contribuiu com 3.7% do Produto Nacional Bruto do país basco. Tem 38
complexos industriais no estrangeiro, e este número deverá elevar-se no
futuro.
A educação foi sempre
importante no MCC, daqui a conversão da velha escola na universidade de
Mondragón nos anos 90, uma universidade privada capaz de promover o
desenvolvimento tecnológico e de gestão das cooperativas. Uns 4.000
estudantes estão nos campus da universidade em Oñati, em Eskoriatza e
em Mondragón.
O MCC é constituído agora
por 150 empresas, com ramificações importantes na produção industrial e
na engenharia, bem como no retalho, nos investimntos financeiros e na
área educacional. A cadeia de Suermercados, Eroski, é a quarta maior em
Espanha.
O governo basco e as
autoridades tributárias têm uma série de instrumentos de apoio às
cooperativas. A região de Deba que envolve a localidade de Mondragon
manteve uma elevada taxa de emprego mesmo durante a crise do sector
industrial basco.
Problemas a resolver
O
tamanho enorme do MCC causou tensões entre as necessidades de uma
estrutura internacional e a coerência aos princípios cooperativos
tradicionais. Existem acusações que as fábricas localizadas no
exterior, principalmente na América latina, onde não são dados os
mesmos direitos aos trabalhadores do que em Espanha. Em 2004,
estimou-se que apenas metade da força laboral são membros de pleno
direito.
As medidas existentes para
impedir um fosso grande nos vencimentos entre os gestores e os
restantes trabalhadores foram relaxadas para aumentar a competitividade
na aquisição de profissionais qualificados para o exercício de cargos
superiores.
Os problemas existem para
serem resolvidos com sabedoria. Depois de mais de 50 anos de
experiência de certo que poderão ultrapassa-los.
Adaptado da Wikipédia