Poder Económico Descentralizado (Parte 1)
As pessoas têm alguns
direitos para criarem comunidades sustentáveis e controlarem os
seus próprios recursos, economias e meios de vida. Estes
direitos são influenciados pelo seu direito de escolher quais os
valores culturais a seguirem. Uma economia globalizada na forma actual
nega estes direitos ao transferir poder das decisões relevantes
para a empresas globais e instituições financeiras. Isto
não serve o interesse humano.
As teorias de ambos os sistemas, capitalismo e comunismo, aceitam o
aforismo “Quem controla o ouro manda”. A teoria comunista
propõe o controlo dos meios de produção mas nunca
se importou com a sua implementação. Adam Smith
(teórico do sistema capitalista do século XVIII)
implicitamente fez a mesma pressuposição, na sua
visão de um mercado económico ideal, compreendendo
pequenos agricultores e artesãos – uma circunstância
em que o proprietário, o gestor e o trabalhador são a
mesma entidade. Mas o capitalismo persistentemente transfere os
direitos de propriedade para as oligarquias económicas e
instituições financeiras que são largamente
incontabilizáveis, mesmo para os proprietários. Enquanto
o comunismo remete o direito de propriedade para um estado distante e
nega à população quaisquer meios de controlar o
estado no exercício desses direitos.
“ Hoje com a euforia da globalização, as
instituições de Bretton Woods, o FMI (Fundo
Monetário Internacional), o Banco Mundial e a
Organização Mundial de Comércio (OMC) são
as estruturas administrativas, as entidades reguladoras que operam
dentro do sistema capitalista e protegem os interesses
económicos e financeiros dominantes. O que está em jogo
é a capacidade desta burocracia internacional de supervisionar a
economias nacionais através da manipulação
deliberada das forças de mercado.
Como resultado as economias nacionais estão interligadas, com os
bancos comerciais e a propriedade dos negócios (controlados por
cerca de 750 empresas) a transcender as fronteiras económicas,
com o comércio internacional integrado e o mercado financeiro
mundial unido através de uma ligação
computadorizada instantânea. A actual crise é muito mais
complexa do que a ocorreu entre as duas guerras mundiais, com as
consequências sociais e as implicações
geopolíticas rodeadas de um grau de incerteza elevado
após a Guerra Fria.
O movimento da economia global é regulado por um processo
mundial amplo baseado na colecção de dívidas que
restringe as instituições do estado nação e
contribui para a destruição do emprego e da actividade
económica. No mundo em desenvolvimento, o fardo da dívida
externa alcançou 3 triliões de dollars (World Bank Debt
Tables 1994-95): países inteiros foram desestabilizados em
consequência do colapso das suas moedas nacionais, resultando
muitas vezes em conflitos sociais, étnicos e guerra
civil.” Michael Chossodovsky, The Globalisation of Poverty, Other
Índia press, Índia, Goa, 1997.
Neste sistema de globalização actual, a expansão
das exportações é prescrito aquando da
contracção do poder de compra interno. A capacidade de
adquirir bens e serviços da maioria está continuamente a
decrescer. Os mercados emergentes estão abertos à
concorrência que afecta o sistema produtivo pré-existente,
pequenas e médias empresas são obrigadas a entrar em
falência ou a produzir para um distribuidor global, as companhias
estatais são privatizadas ou encerradas. O sistema
económico global é assim caracterizado por duas
forças contraditórias: a consolidação de
uma força laboral barata por um lado e a procura de novos
mercados consumidores por outro. A primeira força prejudica a
segunda. A extensão dos mercados às empresas globais
causa fragmentação e destruição da economia
doméstica. Barreiras ao movimento de dinheiro e bens são
removidas, o crédito é desregulado e a terra e a
propriedade estatal são tomadas pelo capital internacional.
A mudança completa no sistema estrutural é
necessária para diluir a centralização
económica do poder económico para erradicar a
exploração política económica,
sócio-económica e psico-económica.
Quer a imposição de dogmas religiosos e os seus valores
associados, como aconteceu nos países Africanos e
Asiáticos durante a era colonial, ou a imposição
de uma pseudo-cultura materialista, psicologia consumista e uma
crença hedonista, são os meios da
exploração psico-económica.
PROUT propõe alternativas para descentralizar o poder
económico que serão referidas na próxima parte
deste artigo.