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Poder Económico Descentralizado (Parte 2)


Soluções proutistas 

É evidente que os seres humanos não estão identificados psicologicamente com estes sistemas exploradores da economia centralizada, que não têm a capacidade de erradicar as disparidades económicas e a insegurança social por eles geradas. Existe apenas um caminho para parar esta exploração económica crónica e elevar o poder de compra das pessoas. Este passa pela implementação de uma política de economia descentralizada. Um planeamento apropriado não poderá ser conduzido por aqueles que estão sentados nas capitais políticas e financeiras do mundo. Em vez disto, este deve ser projectado de baixo para cima, a partir das experiências do dia a dia e dos conhecimentos da população local.

Todas as estruturas económicas podem ser construídas na base de um sistema de economia descentralizado, à luz de Prout. A pirâmide deste tipo de economia consiste de um sector público, de um dominante sector cooperativo e de um sector privado de reduzida dimensão. O sector público deve ser responsável pela gestão das matérias primas, energia, transportes públicos, defesa, etc. Prout defende que o sector público seja gerido e controlado directamente por administrações autónomas criadas pelo governo. Estas estruturas económicas produzirão os materiais primários para o processamento noutros sectores. O sector cooperativo será responsável pela produção de bens de grande escala, incluindo o sector agrícola. O sector de pequena escala pertencerá a proprietários individuais ou de pequenas parcerias.

As cooperativas serão a força que competirá com o monopólio capitalista nos mercados locais. A sua agenda incluirá a promoção dos direitos da população local em controlar a matéria-prima indígena. Além disto, as pessoas não procurarão um emprego, em vez disso o trabalho irá procurar as pessoas, pois a optimização do lucro será substituída pela produção destinada a satisfazer as necessidades reais das pessoas (neste sistema a publicidade terá um papel menor ao contrário do que actualmente assiste-se, onde é o motor de criação na mente de desejos de necessidades não prioritárias). A produção e distribuição de bens de consumo de larga escala serão organizados pelas cooperativas, incluindo o sector agrícola. As unidades de produção cooperativas serão propriedade dos trabalhadores e serão democraticamente controladas.

Empresas individuais não entrarão na produção e distribuição de bens essenciais. Pequenas lojas, restaurantes, etc, serão geridos por este tipo de organização.

Economia descentralizada

Enquanto que o poder politico deve ser centralizado e estar nas mãos de pessoas moralistas, o poder económico e os decisores devem estar debaixo de um controlo local, porque são os líderes locais e os planeadores que têm sentimentos pela sua área, condição importante para uma correcta percepção dos problemas locais, de forma a serem capazes de implementar políticas de forma rápida e eficaz (o que o oposto dos planeamentos económicos e de produção centralizados, que são intrinsecamente ineficientes e que conduzem à disparidade económica e social).

A liberdade da população local de efectuarem as suas próprias decisões é assim denominada de democracia económica. Para que isto seja alcançado, os necessidades básicas para uma vida condigna devem ser garantidas para todos (através do aumento progressivo do poder de compra), e nenhuma entidade exterior deva interferir com a economia local.
 
Cooperativas

As cooperativas são “ a melhor expressão da doçura humana na esfera física” porque funcionam como unidades de cooperação coordenada, em que cada membro tem um sentimento de pertença com o seu trabalho, porque ele ou ela contribui directamente nas operações e no processo de decisão da cooperativa, e terá uma ampla oportunidade para o desenvolvimento das sua potencialidades latentes. A riqueza e os recursos de muitos indivíduos são combinados para o benefício da cooperativa como um todo. Cada membro tem um sentimento de propriedade porque ele ou ela tem uma parte na cooperativa de acordo com a terra ou capital fornecidos a esta.

As cooperativas serão um óptimo meio de produção e de distribuição de bens e serviços em qualquer economia descentralizada. De facto, uma economia descentralizada é vital para o seu sucesso. Outros factores essenciais são a moralidade, uma admnistração forte, uma aceitação do fundo do coração deste sistema por parte de todos os membros de uma cooperativa.

Podem existir diferentes tipos de cooperativas: Agrícolas, industriais (para a produção de bens), de consumo (para a distribuição de bens) e diversas (serviços, bancos, serviços médicos, etc).

 Agricultura

Por os alimentos serem uma  mercadoria preciosa, a agricultura é uma parte importante da economia e deve ter o mesmo estatuto da indústria, incluindo os níveis salariais.

Para a optimização deste sector, a socialização da terra agrícola deve ser implementada. Isto deverá ser efectuado em várias etapas, pois psicologicamente muitas pessoas tem uma ligação sentimental forte à sua terra.

Indústria

Prout advoga a seguinte estrutura para a indústria:
  1. Indústrias-chave: Indústrias grandes ou complexas, incluindo todos os bens essenciais e serviços, geridos numa base de não lucro não prejuízo por administrações autónomas, nomeadas pelo governo. Para além de fornecer bens e serviços essenciais, elas actuarão como núcleos para outras indústrias.
  2. Indústrias de Grande Escala: Estas devem ser geridas de forma cooperativa, sendo um sector importante da economia, na base de lucro marginal (racional).
  3. Indústrias de Pequena Escala: Geridas como empresas privadas, produzindo bens e serviços não essenciais (luxo) numa base de lucro marginal. Elas terão de manter um ajustamento com o sector cooperativo.

Em termos gerais, a produção deverá estar focada no consumo mais do que no lucro, a preferência deve ser dada à mão de obra local e à utilização de materia-prima local, não sendo permitido a importação de produtos localmente existentes e só bens finais devem ser exportados.

Com a implementação desta estrutura socio-económica todos os membros da sociedade terão capacidade de satisfazer as suas necessidades básicas sem angústias, através de um esforço colectivo, permitindo a existência de tempo para o desenvolvimento de actividades mais subtis, mais de acordo com a nossa natureza humana.