Sentimentos Humanos e o Neo-Humanismo
O sentimento é uma tendência emocional de nos
identificarmos com aquilo de que gostamos, com aquilo que nos dá
prazer. O neo-humanismo, termo cunhado por Sarkar e explicado no seu
livro
Neo-Humanismo: A libertaçao do intelecto,
representa o processo de expansão do nosso sentimento de um
estado de interesse individual ou comunitário para um sentimento
de empatia e identificação, cada vez maior, com toda a
humanidade.
A maioria das pessoas sente-se atada por laços de união
com seus familiares e com o seu círculo de amizades. Da mesma
forma, em qualquer parte do mundo, a aceitação como
membro de um clã, uma tribo, ou uma comunidade é
especialmente importante. A maioria sente-se membro ou cidadã de
uma região ou nação em particular, frequentemente,
acreditando que de alguma maneira, o seu local é mais importante
do que as outras regiões ou nações. Sarkar
denomina esse patriotismo ou nacionalismo de
geo-sentimento.
Este sentimento coloca a própria nação como
superior às outras e, numa forma negativa, encotra
expressão em slogans do tipo "O meu país primeiro, esteja
isso certo ou errado!", bem como em sentimentos de xenofobia. Esse
sentimento tem servido de reforço emocional ao colonialismo e ao
imperialismo.
O sentimento de identificação com a nossa própria
raça, religião, classe ou sexo, excluindo as outras
comunidades é conhecido como
socio-sentimento.
Ambos, o geo-sentimento e o socio-sentimento, causaram
inumeráveis conflitos e guerras trágicas baseadas no
ódio, e que são, nas palavras de Sarkar, "a mancha mais
ignóbil no carácter humano". Políticos que
exploram esses sentimentos do povo para ganhar popularidade podem-se
tornar muito poderosos, mas correm o risco de levar a sua comunidade ou
nação à ruína.
Uma educação esclarecedora, que desenvolva uma mente
racional e investigadora, pode ser o antídoto para esses
sentimentos inferiores. Uma educação que expanda o nosso
sentido de identidade, até incluir toda a humanidade, até
sentirmos dor quando soubermos do sofrimento de qualquer ser humano no
planeta, em qualquer etnia. Este sentimento pode-nos inspirar a que nos
dediquemos ao serviço, à justiça social e à
ecologia.
O humanismo originou-se na Europa durante a época da
Renascença como uma reacção aos dogmas
ilógicos e à dominação do poderoso clero da
Igreja Católica, que exigia fé cega e total
obediência. Consequentemente, muitos humanistas ocidentais
rejeitaram a ideia de um Deus exterior, além do que pode ser
comprovado pela existência humana. Em vez disso, recorreram
à lógica, ao raciocínio e ao questionamento
científico, confiando somente naquilo que pudesse ser observado
e medido.
A rejeição de Deus forçou os humanistas a uma
busca mais profunda, levando-os a descobrirem o significado pessoal e
político de vários conceitos, como a liberdade e a
igualdade. Esforçaram-se para encontrar uma moralidade mais
natural e mais racional. No entanto, rapidamente se depararam com o
problema do relativismo. "Liberdade, igualdade e fraternidade" eram as
palavras de ordem da Revolução Francesa, mas com o Reino
de Terror que veio em seguida constituíram um slogan vazio.
Liberdade de quê? Igualdade em relação a quê'
Um defeito potencial do humanismo consiste no facto de que o
propósito da vida não esteja claro. Isto pode deixar o
humanista num vazio espiritual, sem valores transcendentes ou
direcção - à deriva num mar de ideias
contraditórias.
O humanismo tem outras limitações. Quando associado ao
internacionalismo, como a ONU, os seus adeptos podem ser contaminados
por sentimentos de ciúmes e rivalidades políticas, tal
como ocorre nessa organização. Se estiver fundamentado no
conceito de que Deus não existe, de que não há uma
Consciência Superior dentro de nós, então,
há uma tendência para se tornar cínico e
materialista.
A filosofia humanista também pode levar as pessoas a
negligenciarem as outras espécies, a considerá-las
inferiores e a explorá-las para obter Lucro. Esta atitude
já foi chamda de "
generoismo" ou "
antropocentrismo".
O neo-humanismo de Sarkar encoraja-nos a superar essa
limitação, incluíndo todas as formas de vida na
nossa definição do que é "real" e "importante".
Uma vez que somos claramente a espécie mais evoluída do
planeta, deveríamos expandir o nosso sentimento de amor e
respeito a todos os seres do universo, tanto os seres animados quanto
os objectos inanimados.
Por conseguinte, uma visão fundamentada no universalismo ou
neo-humanismo é aquele que reconhece a família espiritual
da humanidade, que transcende as nações. Ensina-nos que
devemos libertar o nosso intelecto de um apego limitado ao ego,
à família, à geografia, à classe social,
à religião e ao antropocentrismo e estabelecê-lo
numa espiritualidade ambiental. A perspectiva neo-humanista coloca
todos os seres humanos e o restante da criação como
filhos da Consciência Suprema. Uma pessoa estabelecida nesta
perspectiva sente que a tristeza no mundo é a sua tristeza e que
a felicidade no mundo é a sua felicidade.
Uma nova definição de Progresso Social: Neo-Humanismo e PROUT
Segundo a ciência, toda a entidade neste universo está em
movimento. No entanto, o movimento só tem sentido ou
propósito quando segue em direcção a uma meta. De
acordo com PROUT, o progresso social é o movimento direccionado
para o bem-estar de todos, desde a primeira expressão de
consciência ética individual até ao estabelecimento
do humanismo universal.
O neo-humanismo é um conceito amplo, que promove o bem-estar
material e a segurança física, o estímulo e o
empenho intelectual e também o crescimento espiritual. Ajuda a
libertar o intelecto de sentimentos inferiores e doutrinas
estabelecidas, como também a criar um sentimento comum de
compaixão.