Este capítulo apresenta os princípios económicos básicos para transformar nossa economia focalizada no lucro numa sociedade voltada para os interesses do povo. Isto é, a economia deve garantir o poder de compra da população e a produção das necessidades básicas.
O sistema económico capitalista é baseado essencialmente na motivação do indivíduo por lucro. Como o objetivo é o lucro, os seres humanos são equiparados, no fluxo de caixa da empresa, a equipamentos, móveis etc. PROUT contesta que tal sistema é exatamente o oposto do que a ciência económica deveria ensinar.
No capitalismo, o objetivo da economia é a maximização dos lucros. Ao invés disso, PROUT propõe que a economia esteja voltada para atender as necessidades humanas e económicas, focalizando os seres humanos como o objetivo principal.
A designação das pessoas como um mero fator de capital deu margem a muita injustiça social e exploração. Atualmente, muitos trabalhadores, mesmo os mais dedicados, perdem seus empregos, porque as empresas, sob a pressão de ter que aumentar a margem de lucro, fazem cortes no quadro funcional para diminuir custos. Além disso, muitos permanecem desempregados ou sub-empregados, por mera falta de opção.
Teoricamente, no sistema capitalista, a produção, a distribuição e os regulamentos são feitos através de um mecanismo chamado livre mercado. Os consumidores seriam livres para adquirir os diferentes produtos, e a competição entre fabricantes deveria assegurar a oferta de produtos de alta qualidade a preços baixos. Os produtos que não atendessem as necessidades da sociedade não seriam adquiridos, e se o fabricante não conseguisse lucrar com esses produtos, cessaria sua produção. Isso é visto como um sistema em que o consumidor obriga o fabricante a produzir o que ele está interessado.
Mas essa não é a verdadeira história. A interminável busca por lucros, cada vez maiores, levou à elaboração de sofisticados métodos psicológicos que forçam o consumo de produtos e serviços desnecessários, e até mesmo nocivos. Pela influência das campanhas publicitárias, são fabricados e vendidos itens como cigarro, alimentos nocivos à saúde, entretenimentos banais, e milhões de produtos luxuosos e supérfluos. Enquanto o lucro for a base da produção, os capitalistas sempre encontrarão métodos para aumentar a demanda por um certo produto - seja ele útil às necessidades humanas ou não.
Embora os defensores do capitalismo aleguem que a economia capitalista não é centralizada, na realidade, há uma grande concentração do poder económico nas mãos de um pequeno número de corporações, tendendo à centralização do poder e à concentração de renda. Poucas corporações controlam as indústrias estratégicas, a tecnologia militar, a energia, os bancos, os alimentos e a assistência médica. E, além de dominar toda essa produção, elas também controlam os líderes políticos, por meio do financiamento às campanhas eleitorais. A economia moderna desenvolveu mecanismos de controle de mercado altamente sofisticados, aumentando o lucro e a riqueza de poucos, sem melhorar o padrão e a qualidade de vida da maioria. Podemos observar isso através da grande disparidade de consumo. Hoje em dia, apenas 20% da população mundial consome 80% dos recursos e serviços, enquanto 80% da população consome apenas 20% da produção. A riqueza das classes altas aumentou, e o poder de compra das classes baixa e média, em geral, deteriorou-se.
Hoje em dia, a elite económica, através de instituições como a World Trade Organization, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial, opera intervenções diretas para manter todas as economias sob seu controle. Esses organismos impedem os governos de desenvolver atividades económicas favoráveis ao povo. Na verdade, eles submetem a população a uma economia global que explora o trabalho e os recursos locais, tornando-a dependente de decisões de mestres económicos estrangeiros.
O objetivo económico de PROUT é a "utilização máxima" e a "distribuição racional" dos recursos do mundo. Utilização máxima no reino da economia significa que os recursos do mundo deveriam ser distribuídos de forma progressiva e eficiente, com a intenção única de atender as necessidades de todos os seres humanos. O povo deve planejar sua própria economia e controlar os seus próprios recursos. Isso é essencial para garantir a sustentabilidade do meio ambiente e prevenir a exploração económica.
PROUT não vê a tecnologia como uma ameaçadora à segurança económica. Ao contrário, PROUT estimula a evolução científica constante, com o espírito de promover o bem-estar geral, a independência económica local e o aumento da produtividade.ste capítulo apresenta os princípios económicos básicos para transformar nossa economia focalizada no lucro numa sociedade voltada para os interesses do povo. Isto é, a economia deve garantir o poder de compra da população e a produção das necessidades básicas.
O aspecto mais marcante e fundamental da economia proutista é a garantia das necessidades básicas a todos. Na atual era de elevado desenvolvimento tecnológico, enquanto muitos seres humanos são privados de suas necessidades existenciais, alguns poucos acumulam enormes riquezas, que são usadas na aquisição de artigos de luxo. As necessidades básicas devem ser definidas de forma progressiva, isto é, deve haver um ajuste contínuo das necessidades básicas, de acordo com os recursos disponíveis e o padrão científico da localidade.
As necessidade básicas não devem ser atendidas pelos governos, como é feito pelo sistema de bem-estar social de alguns países liberais democráticos. Na verdade, o planejamento local deve garantir a geração de emprego, para que a população possa ter poder de compra.
Somente em circunstâncias especiais, ou no caso de pessoas com problemas mentais ou fisicamente incapazes, poderá haver algo semelhante ao sistema de bem-estar social vigente nos países liberais democráticos. Numa estrutura proutista, o poder de compra das pessoas será tomado como a medida de desenvolvimento económico. Para facilitar o aumento contínuo dessa capacidade, certos fatores são necessários, quais sejam: 1) disponibilidade de produtos e serviços básicos; 2) preços estáveis; 3) aumento progressivo e periódico dos salários; e 4) aumento da riqueza coletiva e da produtividade.
PROUT classifica estes itens como as cinco necessidades básicas da vida: alimentação, vestuário, moradia, assistência médica e educação. Na categoria de necessidades suplementares estão a produção de energia, o transporte, a disponibilidade de água para a irrigação etc.
As pessoas com habilidades especiais e que prestam serviços importantes devem receber incentivos acima da média da população.
Amenidades devem ser providenciadas para que as pessoas possam contribuir mais efetivamente para a sociedade. Por exemplo, um cientista deve ter equipamentos de última geração; um artista, materiais de primeira categoria; e assim por diante. Assim, esses indivíduos poderão desenvolver suas habilidades de forma a proporcionar maior benefício a todos.
Também deve haver esforços constantes para providenciar o máximo de amenidades para todos, independentemente do mérito individual. Por fim, haverá um processo infinito para minimizar a disparidade entre ricos e pobres, embora ela nunca deva chegar a zero. Esse direito ao máximo de amenidades deve constar na Constituição.
Atualmente, nos países capitalistas não há nenhuma garantia das necessidades básicas da vida, nem há um limite para a acumulação de riqueza. Dentro de um sistema proutista, as necessidades básicas são garantidas e existe um limite para a acumulação da riqueza.
Os salários mais altos devem subir na mesma proporção que os mais baixos. O salário mínimo (um valor X) deve ser suficiente para atender as necessidades básicas: casa, comida, vestuário, assistência médica e educação. Essas necessidades devem variar de acordo com lugar, época e pessoa. A aplicação de um teto para os salários mais altos dependerá da economia local e de como a sociedade se manterá economicamente ativa e dinâmica. Certas sociedades, como a brasileira por exemplo, que têm grandes disparidades no poder aquisitivo, deverão, primeiramente, passar por profundas reformas sociais e económicas, até que um teto seja estabelecido de forma apropriada. Numa sociedade sem grandes disparidades económicas (Suécia, por exemplo), um teto salarial (10 X) que corresponda a 10 vezes o salário mínimo (X) seria o ideal, num primeiro momento. A sociedade trabalharia para elevar o padrão de vida de seus membros mais pobres, e isto garantiria a melhoria de todos, na medida em que a riqueza coletiva aumentar, ou seja, na proporção em que o valor "X" aumentar.
Na maior parte do mundo, as pessoas pensam na democracia como o melhor sistema de governo, como se ela representasse a emancipação das massas. Esse sistema que permite a todos os cidadãos o direito de eleger seus representantes políticos deve ser mais apropriadamente definido como democracia política.
A verdadeira democracia engloba muito mais do que isso. De acordo com PROUT, a garantia das necessidades básicas e a descentralização são também relevantes para a definição de democracia, surgindo daí o conceito de "democracia económica".
É verdade que a democracia política dá às pessoas o direito ao voto. Mas qual o uso prático desse direito? Em alguns dos chamados países democráticos, como os EUA, muitos eleitores se tornaram tão desiludidos com os candidatos que nem mesmo se incomodam em votar. Muitos dos eleitores nem avaliam as promessas de campanha e fazem suas escolhas baseados na filiação partidária do candidato, na sua propaganda política, ou se baseiam em outras questões que não deveriam influenciar a escolha do melhor candidato.
Em virtude de interesses políticos e financeiros, a mídia propaga uma imagem mais positiva dos candidatos apoiados por eles (jornal, revista ou canal de TV). Já os candidatos da oposição são atacados indiretamente ou de forma subliminar, criando-se uma imagem negativa deles diante da opinião pública.
O resultado dessa situação é que, enquanto as pessoas mantêm a ilusão de ter algum poder de decisão sobre seu próprio futuro, o poder real continua nas mãos dos ricos e poderosos, que só têm interesse em manter o seu poder "intacto". Após colocar um partido no poder, as pessoas então se acomodam, enquanto importantes decisões, que afetam suas vidas, são tomadas de acordo com a vontade dos políticos.
A idéia que sustenta a democracia económica é que os seres humanos não devem ser escravos daqueles que têm o controle do capital. No campo político, a democracia significa a liberdade de escolha. Desde os tempos do feudalismo até hoje, a maioria da população ganha um salário de subsistência, enquanto seu trabalho produz a riqueza de uma minoria. As pessoas aceitam regras e regulamentos impostos pelos empregadores (baixos salários, extensas jornadas etc.); seu único direito é o de largar o emprego; quase nunca opinam sobre questões de seu interesse e raramente recebem alguma parcela do lucro. Os donos do capital as obrigam a um tipo de escravidão caraterizado por essas circunstâncias - e isto é aceito naturalmente.
Eles alegam que o controle é estabelecido pelo livre mercado, o qual supostamente garante a competição entre as empresas e mantém a oferta de emprego. A realidade para muitos é bem diferente, já que eles têm que trabalhar em condições cada vez mais desfavoráveis, mesmo nas chamadas nações desenvolvidas.
De acordo com PROUT, os frutos do trabalho são do trabalhador, devendo ele manter um controle sobre isso. Para alcançar isso, PROUT recomenda a economia descentralizada, baseada no sistema cooperativo. Esses conceitos serão discutidos em capítulos seguintes.
A democracia económica defende a transferência do poder de decisão das atividades económicas para a população local. Esse tipo de democracia representa uma liberdade mais verdadeira do que a apregoada pela democracia política.
Para o estabelecimento da democracia económica, são necessários quatro requisitos:
As necessidade básicas não devem ser atendidas pelos governos, como é feito pelo sistema de bem-estar social de alguns países liberais democráticos. Na verdade, o planejamento local deve garantir a geração de emprego, para que a população possa ter poder de compra.
Somente em circunstâncias especiais, ou no caso de pessoas com problemas mentais ou fisicamente incapazes, poderá haver algo semelhante ao sistema de bem-estar social vigente nos países liberais democráticos. Numa estrutura proutista, o poder de compra das pessoas será tomado como a medida de desenvolvimento económico. Para facilitar o aumento contínuo dessa capacidade, certos fatores são necessários, quais sejam: 1) disponibilidade de produtos e serviços básicos; 2) preços estáveis; 3) aumento progressivo e periódico dos salários; e 4) aumento da riqueza coletiva e da produtividade.
PROUT classifica estes itens como as cinco necessidades básicas da vida: alimentação, vestuário, moradia, assistência médica e educação. Na categoria de necessidades suplementares estão a produção de energia, o transporte, a disponibilidade de água para a irrigação etc.
As pessoas com habilidades especiais e que prestam serviços importantes devem receber incentivos acima da média da população.
Amenidades devem ser providenciadas para que as pessoas possam contribuir mais efetivamente para a sociedade. Por exemplo, um cientista deve ter equipamentos de última geração; um artista, materiais de primeira categoria; e assim por diante. Assim, esses indivíduos poderão desenvolver suas habilidades de forma a proporcionar maior benefício a todos.
Também deve haver esforços constantes para providenciar o máximo de amenidades para todos, independentemente do mérito individual. Por fim, haverá um processo infinito para minimizar a disparidade entre ricos e pobres, embora ela nunca deva chegar a zero. Esse direito ao máximo de amenidades deve constar na Constituição.
Atualmente, nos países capitalistas não há nenhuma garantia das necessidades básicas da vida, nem há um limite para a acumulação de riqueza. Dentro de um sistema proutista, as necessidades básicas são garantidas e existe um limite para a acumulação da riqueza.
Os salários mais altos devem subir na mesma proporção que os mais baixos. O salário mínimo (um valor X) deve ser suficiente para atender as necessidades básicas: casa, comida, vestuário, assistência médica e educação. Essas necessidades devem variar de acordo com lugar, época e pessoa. A aplicação de um teto para os salários mais altos dependerá da economia local e de como a sociedade se manterá economicamente ativa e dinâmica. Certas sociedades, como a brasileira por exemplo, que têm grandes disparidades no poder aquisitivo, deverão, primeiramente, passar por profundas reformas sociais e económicas, até que um teto seja estabelecido de forma apropriada. Numa sociedade sem grandes disparidades económicas (Suécia, por exemplo), um teto salarial (10 X) que corresponda a 10 vezes o salário mínimo (X) seria o ideal, num primeiro momento. A sociedade trabalharia para elevar o padrão de vida de seus membros mais pobres, e isto garantiria a melhoria de todos, na medida em que a riqueza coletiva aumentar, ou seja, na proporção em que o valor "X" aumentar.
Para estabelecer seus ideais económicos, PROUT defende um sistema económico baseado na descentralização.
No sistema capitalista, o lucro é o motivo principal da atividade económica. Em PROUT, o suprimento das necessidades básicas à população é o objetivo principal. A produção direcionada para o atendimento das necessidades humanas de consumo será melhor alcançada através da descentralização; e isto não é possível no sistema capitalista. A descentralização é uma característica básica da democracia económica, porque ela possibilita o controle e a utilização local dos recursos.
A descentralização é também necessária para a sustentabilidade económica, porque nesse sistema a população local se torna responsável pelos recursos. Isso é completamente diferente do sistema atual, que permite o lucro à custa da degradação social e ambiental. De acordo com PROUT, os recursos naturais serão preservados, porque a população local dependerá diretamente deles para manter seu padrão de vida.
Visando facilitar a descentralização, PROUT propõe a criação de "unidades socioeconómicas auto-suficientes". A população local decidirá a formação de tais unidades. Essa decisão será baseada em fatores tais como: problemas económicos em comum, potencialidades geográficas uniformes, similaridades étnicas, aspectos geográficos comuns e legado cultural. As pessoas do local são aquelas que estabeleceram seus interesses económicos numa determinada região. Seguindo esse princípio, qualquer pessoa poderá se estabelecer em qualquer unidade socioeconómica. Uma certa estrutura política (país, federação, estado etc.) pode conter diversas unidades socioeconómicas.
Um dos grandes defeitos do capitalismo é a drenagem dos recursos de uma região e a conseqüente centralização. Por exemplo, uma companhia sediada em São Paulo tem um relacionamento parasita com a economia de algum lugar no interior do Ceará, impedindo o progresso económico do local. Recursos retirados de áreas subdesenvolvidas são extraídos a baixo custo e utilizados para beneficiar os capitalistas estrangeiros. Economias centralizadas também favorecem a concentração industrial e urbana. Numa economia descentralizada, não surgirão as questões da concentração industrial, do crescimento urbano excessivo, ou dos trabalhadores itinerantes. Haverá controle local dos recursos e do capital e oportunidade para todas as localidades desenvolverem seu potencial socioeconómico.
Cada área deve lutar pela auto-suficiência e pelo desenvolvimento máximo em todos os setores da economia, tendo o cuidado de preservar o meio ambiente. Cada unidade será livre para desenvolver seu próprio plano económico e escolher os métodos de utilização.
Resumindo, PROUT reconhece 5 princípios básicos de descentralização económica, quais sejam:
O comércio exterior de produtos excedentes pode ser permitido, em determinadas circunstâncias. Nesses casos, é preferível o sistema de escambo à venda em dinheiro. As matérias-primas não devem ser exportadas, pois isso prejudicaria o desenvolvimento industrial local e estimularia a super-industrilização da localidade importadora.
PROUT também dá atenção ao comércio exterior. O comércio deve ser benéfico para todas as partes envolvidas e para a economia como um todo. Na descentralização económica, as matérias-primas devem ser processadas o mais próximo possível do local de origem. Portanto, sua exportação é considerada ineficiente nessa estrutura socioeconómica.
A região exportadora perde grandes chances de gerar empregos e aumentar a vitalidade da economia. Normalmente, os países exportadores de matérias-primas são subdesenvolvidos e têm um baixo padrão de vida. Dependendo do material, a "unidade socioeconómica" importadora pode incorrer no erro de desenvolver a indústria em limites insuportáveis; ou se importar alimentos, poderá prejudicar a agricultura local. Geralmente, esse tipo de comércio não favorece a descentralização ou o equilíbrio da economia (próxima seção).
No entanto, quando a produção de matérias-primas for incapaz de suprir os requisitos básicos para a população, sua importação poderá ser permitida. Deve ser cuidadosamente comprovado que as matérias-primas importadas sejam excedentes na unidade socioeconómica exportadora.
A região que produzir os requisitos básicos poderá importar produtos acabados, de difícil produção, para não prejudicar o desenvolvimento local. A melhor forma para esse tipo de comércio é a troca (ou escambo).
Após ser desenvolvida uma infra-estrutura que facilite a troca de produtos manufaturados, o livre comércio de produtos industrializados excedentes entre as unidades socioeconómicas inteiramente auto-suficientes deverá ser estimulado. Isso ajudará a promover a prosperidade e a igualdade socioeconómica entre as unidades. Quando isso acontecer, as unidades socioeconómicas poderão se unificar. Isso será positivo, desde que a produção descentralizada e a democracia económica não sejam prejudicadas.
Um último e importante ponto deve ser mencionado sobre esse assunto. Com o objetivo de evitar o surgimento de uma classe de comerciantes e intermediários ricos, as transações entre as unidades socioeconómicas devem ser conduzidas somente através de cooperativas. Deve ficar claro que essa abordagem difere da noção capitalista de livre comércio. Na luta por maiores lucros, os capitalistas buscam as matérias-primas e a mão-de-obra mais barata, pagando aos trabalhadores o menor salário possível. Além disso, eles produzem preferencialmente os bens altamente rentáveis. Isso não é benéfico nem para as pessoas que moram próximas das fontes de matéria-prima (que não aproveitam os benefícios da propriedade e recebem baixos salários na mineração, na agricultura ou em outros trabalhos) nem para a população dos países ricos, pois as oportunidades de emprego decrescem na medida em que as indústrias se mudam para as áreas que oferecem mão-de-obra mais barata. Isto só beneficia marginalmente a produção, pois as condições de trabalho, os salários e as obrigações sociais serão os mais baixos possíveis para os capitalistas, podendo ou não estimular o crescimento da economia ou aumentar o padrão de vida local. Além disso, uma tremenda quantidade de energia é despendida com o transporte de produtos e matérias-primas entre os locais de origem, as fábricas e o mercado final.
Em PROUT, a necessidade de um equilíbrio entre os setores industrial e agrícola é muito enfatizada. Todos os países devem ter fontes seguras e confiáveis de alimento, bem como um setor industrial desenvolvido. A super-industrilização e a urbanização têm resultado em inúmeros problemas sociais e graves danos ao meio ambiente, enquanto os países com grande parte da população empregada na agricultura têm baixo padrão de vida.
A idéia de uma economia equilibrada é definida pela porcentagem de pessoas envolvidas nos diferentes setores da economia. PROUT sugere que as seguintes porcentagens sirvam de base para uma economia equilibrada: de 30 a 40% da população deve estar empregada na agricultura; 20% nas agroindústrias (isto é, indústrias da fase pós-colheita, como a manufatura de alimentos, farinhas, tecidos, celulose etc.); 20% nas agrico-indústrias (isto é, indústrias da fase pré-colheita, que fornecem implementos agrícolas e fertilizantes); 10% no comércio em geral; e 10% nos trabalhos intelectuais e de escritório. Os envolvidos na indústria não-agrícola deveriam ser de 20 a 30% provenientes do setor agrícola. A precisão desses números só poderá ser naturalmente determinada pela experiência prática.
Essas porcentagens foram baseadas nas seguintes considerações: se mais de 40% da população depender diretamente da agricultura, haverá muita pressão sobre a terra, e isso resultará na agricultura de subsistência. Será difícil a utilização de métodos agrícolas sofisticados, e muitos fazendeiros não receberão nem mesmo um salário suficiente para a sua subsistência. Em geral, o padrão de vida será baixo; tal país será incapaz de se tornar altamente desenvolvido. Por outro lado, se uma alta porcentagem da população de um país estiver empregada na indústria, esse país se tornará super-industrilizado. Além de sofrer os efeitos ambientais e sociais de uma super-industrilização, esse país terá que buscar matérias-primas em áreas subdesenvolvidas para abastecer suas indústrias.
A demanda por matéria-prima barata e a busca de fornecedores de bens alimentícios foram os maiores responsáveis pela expansão colonial dos últimos séculos, e as conseqüentes guerras e genocídios que se seguiram. Essa demanda ainda é a força motriz da economia global de hoje. Para satisfazer suas carências internas, os países super-industrilizados criam países satélites, os quais são explorados e têm sua economia prejudicada.
No mundo atual, a distribuição da mão-de-obra está em desajuste com o que recomenda PROUT. Segundo o professor Waldimir Pirró Y Longo, da Universidade Federal Fluminense (UFF), nos países industrializados cerca de 5% da população desenvolve atividades agrícolas, de 20 a 30% está no setor secundário (manufatura industrial, extrativismo, produção e distribuição de eletricidade, gás e água, obras de engenharia civil); e 70 % se encontra no setor terciário (prestação de serviços, isto é, comércio, bancos, serviço público, seguros, serviço médico-hospitalar, educação, comunicações etc.).
Nas seções anteriores foi mencionado que, de acordo com os princípios da democracia económica, as cooperativas formarão o setor principal do sistema proutista. Segundo Sarkar, "as indústrias cooperativas são o melhor meio de as pessoas se organizarem com independência para tomar a responsabilidade coletiva por seu sustento".
Num sistema económico descentralizado, as indústrias, a agricultura e os serviços de pequeno e médio porte podem ser efetivamente gerenciados por cooperativas. Em PROUT, é também reconhecido que os recursos naturais dentro de uma unidade socioeconómica pertencem às pessoas do local. Entretanto, esses recursos não devem ser controlados por cooperativas. Ao invés disso, o setor público terá de controlar as matérias-primas, bem como certas indústrias estratégicas. Exemplos de indústrias estratégicas: serviços públicos, usinas de ferro e aço, extração de minerais etc.
Um outra área onde as cooperativas podem ser ineficientes é na pequena indústria. Em algumas circunstâncias, a iniciativa privada pode ter maior eficiência e produtividade. Restaurantes organizados entre familiares e amigos, lojas, artesanatos e inventores independentes são alguns exemplos.
Portanto, de acordo com PROUT, deveria existir uma estrutura económica industrial tríplice: 1) indústrias estratégicas, gerenciadas pelo governo local; 2) cooperativas, que incluem as demais indústrias, a agricultura e a prestação de serviços (incluindo os bancos); e 3) iniciativa privada, que engloba as pequenas empresas.
O planeamento é essencial para uma economia descentralizada, especialmente para coordenar a produção e a distribuição dos requisitos básicos. O planeamento em PROUT difere do planeamento comunista em muitos aspectos. No comunismo, o planeamento centralizado é prioritário, enquanto o planeamento local é um simples reflexo desse planeamento central.
Em PROUT, o planeamento descentralizado, em nível de área, seria a base da economia; isso é chamado de planeamento intra-área. Áreas com 100.000 ou 200.000 habitantes, aproximadamente, formam divisões regionais numa "unidade socioeconómica", para facilitar o planeamento descentralizado. O planeamento certamente ocorrerá em níveis de área, distrito, estado, região, nação e planeta, mas o planeamento de baixo para cima é fundamental. Cada nível mais alto de planeamento deve estar de acordo com o planeamento dos níveis inferiores (áreas, distritos etc.), ao invés de definir a actuação dos níveis mais baixos.
P. R. Sarkar escreve: "Existem problemas que ultrapassam as fronteiras de uma área e não podem ser tratados ou resolvidos por essa área isoladamente, tais como o controle de enchentes, projetos de utilização de rios, sistemas de comunicação, a educação de nível superior, o reflorestamento, o impacto ambiental do desenvolvimento, o estabelecimento de indústrias estratégicas, a erosão do solo, o suprimento de água, a produção de energia, o estabelecimento de um sistema de mercado organizado etc. Logo, a cooperação entre as áreas é fundamental. Os planos entre as áreas são chamados de planeamento inter-área. O planeamento inter-área interfere em algumas questões económicas de áreas contíguas e tem o propósito de organizar e harmonizar o desenvolvimento socioeconómico, através de coordenação e cooperação mútua". (Democracia Económica, página 213)
Consequentemente, para garantir o equilíbrio do planejamento económico, os seguintes factores devem ser considerados:
1- Demanda atual e demanda no curto prazo.
2- Oferta atual e oferta no curto prazo.
3- Disponibilidade dos fatores de produção.
4- Garantia dos requisitos básicos da vida, através da aplicação dos princípios de PROUT.
De acordo com PROUT, existem também quatro princípios fundamentais para assegurar um planeamento eficiente: custo de produção, potencial produtivo, poder de compra e necessidades coletivas de cada unidade socioeconómica. Além desses, incluem-se: recursos naturais, características geográficas, clima, sistema fluvial, transporte, potencialidade industrial, herança cultural e condições sociais.
O planeamento deve estar ajustado com a proposta básica de PROUT, para facilitar a utilização máxima e a distribuição racional. O planeamento deve ser de curto prazo, mas os objetivos e as considerações de longo prazo devem ser levados em conta. PROUT sugere o período de seis meses como ideal para o curto prazo e o de três anos como ideal para as projecções e o planeamento de longo prazo.
Se o planeamento for mais longo que isso, ele se tornará impraticável e não se ajustará ao progresso tecnológico e a outros fatores imprevisíveis. Por outro lado, se o planejamento não tiver objetivos de longo prazo, será difícil atender as necessidades económicas de uma área.
De acordo com PROUT, existem quatro partes distintas de uma economia desenvolvida, e portanto quatro ramos da ciência económica. Essa divisão da economia existe unicamente em PROUT.
As divisões são: Economia Popular, Psicoeconomia, Economia Comercial, Economia Geral.
Economia Popular
De todos esses ramos, a economia popular é a que deve ser mais enfatizada. Esse campo estuda a vida dos indivíduos e sua relação com a economia como um todo, incluindo o padrão de vida, o poder de compra e os problemas económicos. O aspecto mais importante da economia popular é assegurar as necessidades básicas a todos.
Estão incluídos neste contexto a produção, a distribuição, o armazenamento, a comercialização, os preços etc. dos produtos básicos.
Portanto, a economia popular trata da produção dos requisitos básicos e se preocupa em satisfazer o povo num tempo curto e da forma mais simples possível.
Para garantir os requisitos básicos a todos, é necessário assegurar que todos tenham poder de compra suficiente. Sendo assim, um outro aspecto da economia popular é assegurar o pleno emprego. Isso inclui a erradicação da pobreza, o desenvolvimento de economias rurais, treinamento e programas de assentamento de trabalhadores. Uma outra responsabilidade da economia popular é garantir o desenvolvimento das indústrias privadas e das cooperativas. Além disso, tomará as providências necessárias para que as empresas privadas que crescerem muito se ajustem ao sistema cooperativo.
Psicoeconomia
Os aspectos psíquicos da atividade económica caracterizam a psicoeconomia. Atualmente, os economistas dão pouca ou nenhuma importância a esse aspecto económico. O primeiro e mais importante objetivo do sistema económico quadridimensional é prover os requisitos básicos para o povo. Esse é essencialmente o campo da economia popular. Uma vez que esse nível básico tiver sido alcançado e os problemas relativos à sobrevivência estiverem resolvidos, a psicoeconomia terá um papel bem mais importante. Esse campo trata da relação entre a psicologia e a atividade económica.
Existem duas divisões no estudo da psicoeconomia:
1. A psicologia da exploração, que tem por finalidade a eliminação de comportamentos económicos injustos e exploradores. Esse segmento da pesquisa económica torna as pessoas conscientes de como o capitalismo explora e cria demandas perigosas para o desenvolvimento dos seres humanos.
2. O outro segmento da psicoeconomia vai ao encontro das necessidades mentais das pessoas e trata de encontrar soluções criativas para os problemas económicos. Nesse ramo da economia incluem-se: a produção de artigos que tenham mais impacto na esfera mental do que na esfera física; a garantia a todos do amplo acesso à informação, às artes etc.
Economia Comercial e Economia Geral
Os dois últimos ramos da economia quadridimensional são a economia comercial e a economia geral. Segundo P. R. Sarkar: "Hoje em dia, a maioria dos economistas entende apenas um pouco dos princípios da economia geral e alguma coisa da economia comercial, porém, ambas estão ainda no estágio primário de desenvolvimento. A economia popular e a psicoeconomia, por sua vez, são totalmente negligenciadas por economistas modernos e, assim, não têm espaço no modelo atual do pensamento económico".
A economia comercial se ocupa em desenvolver métodos mais eficientes e científicos para a produção de artigos e sua distribuição ao povo.
A economia geral inclui a organização geral da estrutura da indústria e a coordenação de todos os níveis da economia, cujo objetivo seria satisfazer as necessidades coletivas da sociedade.
Desde seu início, a economia industrial não tem tido um desenvolvimento tranqüilo e progressivo. Períodos de expansão industrial são seguidos por anos de depressão, após grandes altas nas bolsas de valores geralmente ocorrem grandes baixas. O que está na raiz disso tudo? Deveríamos aceitar este fato como natural e inerente a qualquer economia, ou ele está relacionado a algum modo específico de produção?
Todo fenómeno, seja ele social ou económico, tem movimento sistáltico (ver capítulo 1, seção 3). Portanto, a pausa é um estado natural na vida económica de uma nação. Entretanto, a depressão não é um estado natural. Ela resulta de filosofias e práticas socioeconómicas erróneas. De acordo com PROUT, a depressão resulta da supressão, da opressão e da repressão, isto é, da exploração.
Antes do desenvolvimento da economia industrial moderna, não havia depressões industriais como as atuais. A economia era muito mais orientada para a "produção de subsistência" do que para o mercado.
Ocorreram desastres, mas eles foram geralmente causados pela escassez de alimento ou por guerras. Em contraste, a economia industrial moderna cria depressões após períodos de produção excessiva. O problema é que a população, de modo geral, não tem poder de compra para adquirir os bens produzidos.
Na raiz dessas depressões económicas periódicas está a contradição interna do capitalismo. As indústrias procuram maximizar o lucro com a redução de custos, e ao mesmo tempo querem expandir seu mercado. Mas com a diminuição dos custos, há uma redução no salário dos trabalhadores e, com o passar do tempo, a oferta de emprego também diminui.
Na medida em que o poder de compra dos trabalhadores é minado, o consumo diminui. Assim, as indústrias modernas prejudicam a região onde se instalam. Em tais circunstâncias, só resta aos capitalistas apostarem na bolsa de valores, ou centralizar ainda mais o capital através da fusão de grandes empresas, ou expandir os seus mercados para outros países. O resultado dessa estratégia é que os lucros realmente aumentam enquanto os custos decrescem, resultando numa tremenda lacuna entre proprietários e trabalhadores.
As grandes depressões podem ocorrer por quatro razões:
As instituições e as práticas de mercado que intensificam esses fatores são os instrumentos de exploração e a causa da decadência de uma sociedade.
Esses fatores não são inevitáveis. Eles não são inerentes à economia industrial. Ao invés disso, nós podemos dizer que a lei da produtividade será benéfica, quando o seu objetivo for atender as necessidades da população. Quando a eficiência e o avanço tecnológico aumentam a produtividade, as empresas podem reduzir a jornada de trabalho, ao invés de despedir empregados. Numa economia cooperativa, não deverá haver limite para a produtividade, e, ainda assim, o pleno emprego será garantido. Isso ocorrerá porque a meta da economia será garantir o bem-estar das pessoas e uma qualidade de vida mais elevada para todos.