Capítulo 3 - Agricultura, Indústria,
Finanças e Serviços
Agricultura- Propriedades Rurais económicas
- Contabilidade da
Actividade Agrícola
- Cooperativas
Agrícolas
- Plantio Integrado
- Desenvolvimento Rural:
Agroindústria e Agrico-indústria
Indústria
- Descentralização
e Auto-suficiência
- Estrutura
Tríplice de Produção e Democracia
económica
- Racionalização
(Planeamento da Tecnologia e Desenvolvimento)
Finanças
e Serviços
- Tributação
e Sistema Bancário
- Cooperativas de
Trabalho e Consumo
1. Propriedades Rurais Económicas
De acordo com PROUT, a agricultura é a base da economia, por
isso, ela tem muita importância. Além disso,
defendemos o
desenvolvimento máximo da agricultura orgânica.
O planeamento rural deve garantir o abastecimento das necessidades
alimentares do povo, bem como de produtos domésticos,
materiais
de construção, combustível,
matérias-primas
etc. A agricultura deve ser desenvolvida de acordo com os
princípios da democracia económica:
descentralização, economia equilibrada e outros
fatores
relevantes. PROUT defende uma revolução no setor
agrário baseada na pequena propriedade e na
utilização de técnicas
biológicas mais
avançadas.
O primeiro passo para atingir esses ideais é providenciar a
divisão racional da terra. Esta deve ser avaliada de acordo
com
sua fertilidade e classificada como propriedade rural
económica
ou não-económica. Propriedades rurais
económicas
são as economicamente viáveis, isto é,
aquelas
onde o custo de todos os fatores de produção
é
menor do que o valor de mercado do produto final. Uma propriedade rural
económica não deve ser nem muito grande nem muito
pequena,
o tamanho ideal depende de vários fatores
agrícolas.
Muitos agricultores, no mundo inteiro, não possuem terras
suficientes para prover sua subsistência, enquanto
há
enormes fazendas mal-utilizadas ou improdutivas.
Propriedade rural económica é aquela que possui
terras com
topografia e fertilidade uniforme e suficiente água para a
irrigação. O tamanho de uma propriedade rural
económica variará de acordo com as
técnicas
agrícolas aplicadas, mas a diferença entre a
maior e a
menor propriedade rural de uma área deverá ser
delimitada. As propriedades rurais não-económicas
podem
ser transformadas em económicas com o uso de
técnicas
agrícolas avançadas.
Cada área deverá, com certeza, conter
várias
propriedades rurais agrícolas. No processo de
divisão das
terras de uma área, deverá se observar que as
terras com
nível de produção similar sejam
agrupadas para
facilitar o planeamento. Uma determinada área
deverá ter
um certo nível de uniformidade agrícola, do
contrário, planos conflitantes serão
desenvolvidos para
uma mesma área.
2. Contabilidade da Actividade Agrícola
Em PROUT, a agricultura deve ser considerada tão importante
quanto a indústria, e a contabilidade agrícola
deve ser
semelhante à da indústria. Isto é, o
preço
dos produtos deve refletir adequadamente os custos com
matéria-prima, mão-de-obra, capital, investimento
em
equipamentos, impostos, depreciação de
máquinas,
juros, manutenção, ou seja, todos os fatores
também considerados na indústria.
A indústria nunca estabelece o preço dos produtos
abaixo
do custo de produção. No entanto, os agricultores
são freqüentemente forçados a vender a
preços
baixos, devido à pressão das
circunstâncias.
É comum todos os membros de uma família rural
trabalharem
na actividade agrícola. Mas existe algum cálculo
para
definir o valor desse trabalho? Essa reforma, que necessita de poucas
mudanças para ser implementada, pode assegurar estabilidade
económica aos agricultores.
A economia deve valorizar os agricultores e reconhecer seu estilo de
vida. Embora o preço do alimento possa se tornar alto em
relação aos produtos industriais, isso
não
significa que o poder de compra diminuirá.
As indústrias agrícolas das fases anteriores e
posteriores à produção (agrico e
agroindústrias) devem também ser tratadas de
forma
similar. Isso assegurará a estabilidade económica
da
agricultura e pavimentará o caminho para a prosperidade
global,
baseada numa sólida estrutura agrícola.
3. Cooperativas Agrícolas
PROUT reconhece o sistema cooperativo como o ideal para a agricultura.
Constatou-se que o sistema cooperativo fracassou nos países
comunistas; as grandes cooperativas da extinta União
Soviética e especialmente da China tinham níveis
baixíssimos de produção; e isso
resultou em
escassez drástica de alimento. PROUT não
reconhece as
cooperativas da mesma forma como elas eram tratadas nos
países
comunistas: “comunas dirigidas pelo Estado”.
Além de seus vários defeitos, elas não
eram
aceitas pelo trabalhador, não permitiam a propriedade
privada,
nem davam incentivo. Um outro fator contrário é
que o planeamento das comunas era feito de forma centralizada, isto
é, os burocratas do governo central tomavam as
decisões
finais, enquanto o povo não podia opinar sobre a melhor
maneira
de realizar seu próprio trabalho. Métodos de
coação, incluindo a morte de opositores, foram
usados
para implementar o sistema de comunas.
PROUT não defende a súbita
junção de todas
as terras agrícolas e nem a coação dos
agricultores para aderirem às cooperativas. Pelo
contrário, é reconhecido que vários
fatores
são necessários para o sucesso do sistema
cooperativo,
quais sejam: ambiente económico integrado, mercado local
forte,
programas de implementação por etapas para as
diversas
áreas e administração rigorosa.
Na primeira fase seria realizada a avaliação das
propriedades rurais económicas. Os agricultores que possuem
propriedades rurais económicas manteriam suas propriedades
privadas, se assim o desejassem, enquanto os que possuem terras
insuficientes ou precárias (propriedades rurais
não-económicas) seriam estimulados a aderir
às
cooperativas. Eles também manteriam a propriedade de suas
terras. Os que trabalham como empregados em fazendas privadas, devem
ter direito a uma porcentagem da produção ou do
lucro
líquido, bem como a seus salários.
As cooperativas farão uma combinação
entre os
proprietários rurais e a força de trabalho,
proporcionando vantagens para ambas as partes, isto é, uma
parte
da remuneração será baseada no
trabalho; e outra
parte, na percentagem de terra possuída dentro da
cooperativa.
Haverá também um sistema de bônus
baseado no lucro.
Portanto, o desejo inato das pessoas por propriedade e
independência económica não
será violado.
Além disso, os administradores serão eleitos
dentre os
cooperados e sua remuneração será de
acordo com
suas habilidades e seu empenho.
Um dos benefícios imediatos das cooperativas seria a
utilização das terras que hoje demarcam as
divisas. Em
áreas onde as terras cultiváveis são
limitadas ou
onde a densidade populacional é alta, uma boa parte da terra
é utilizada como cerca divisória e acaba sendo
desperdiçada. Outro grande benefício seria a
compra
coletiva de equipamentos agrícolas, que estariam fora de
alcance
dos agricultores individuais. Através da
formação
do capital coletivo ou da obtenção de
empréstimos,
equipamentos para a irrigação, represas e
máquinas
modernas poderão ser adquiridos ou desenvolvidos. Um planeamento coletivo também pode ser utilizado para o
desenvolvimento de terras áridas.
Na segunda fase de formação das cooperativas,
todos,
inclusive os proprietários de terras económicas,
serão convidados a se unirem às cooperativas,
já
que haveria inúmeros exemplos de modelos bem-sucedidos e dos
benefícios alcançados. Na terceira fase, haveria
a
reavaliação e a
distribuição racional da
terra. Seria definida a área de terra necessária
para uma
família de agricultores ter uma vida decente, de acordo com
a
capacidade das pessoas envolvidas de utilizar a terra.
No estágio ideal do sistema cooperativo, a propriedade
individual da terra terá um valor insignificante, diante do
verdadeiro espírito de coletividade. Isso só
poderá ser alcançado com a
implementação, a
longo prazo, de um desenvolvimento humano global, nas esferas
física, psíquica e espiritual.
4. Plantio Integrado
PROUT recomenda um sistema de técnicas agrícolas
integradas para aumentar a produção, melhorar sua
qualidade e preservar o meio ambiente. Como PROUT defende que cada
área seja auto-suficiente, especialmente na
produção de alimentos, será melhor que
os projetos
agrícolas se integrem, produzindo tanto quanto
possível a
maior variedade de produtos. A monocultura precisa de um sistema de
distribuição maciço e muito
dispendioso,
além de apresentar conseqüências
ambientais negativas
e produção de baixa qualidade.
O que precisamos é de uma agricultura integrada e
descentralizada, que incorpore no campo todos os tipos de
produção agrícola e industrial.
Somente,
então, se poderá obter a
auto-suficiência
sustentável. A agricultura integrada deve incluir muitas
actividades, tais como a agricultura, a horticultura, a fruticultura, a
floricultura, a sericultura, a cerâmica, a apicultura, os
laticínios, a piscicultura, o controle de pragas, os
fertilizantes etc. É importante que o processamento de
qualquer
produto agrícola se faça perto do local de
produção, objectivando o máximo de
eficiência
e auto-suficiência. Se a produção de
energia (de
biogás, solar, eólica etc.), o controle da
água e
o desenvolvimento de pesquisas forem feitos no local da
produção agrícola, então, a
auto-suficiência e a sustentabilidade serão
certamente
possíveis.
A utilização máxima da terra
é um dos
principais objectivos da agricultura integrada. A
criação
maciça de animais para o abate é, além
de cruel,
ineficiente, diante da perspectiva de utilização
da terra
diretamente para a produção de alimentos. Terras
que
poderiam alimentar muitas pessoas, servem como pasto para animais
destinados ao abate. Existe, actualmente, uma consciência
crescente dos malefícios da carne para nossa
saúde.
Então, PROUT sugere que, na medida do possível,
as
pessoas reduzam e finalmente eliminem o consumo de carne, embora
reconheça que a psicologia humana só pode ser
mudada
através de uma convicção interna, ao
invés
de imposições.
Segundo Gilberto Dimenstein, no seu livro Aprendiz do futuro: cidadania
hoje e amanhã: “O Brasil, incluindo lagos, rios e
montanhas, tem 850 milhões de hectares, 400
milhões dos
quais considerados apropriados para a agricultura. No entanto, apenas
um décimo (40 milhões de hectares) desta
área
é usado para a cultura de grãos, sendo o restante
tomado
pela pecuária extensiva, o que significa que, ou a terra
é pouco aproveitada (no caso da pecuária
extensiva), ou
simplesmente abandonada. Ao lado deste desperdício, existem
4.800.000 famílias de trabalhadores rurais sem-terras,
impossibilitadas de efetuar o plantio de alimentos para a
própria subsistência.”
Para alcançar a utilização
máxima da terra,
três sistemas principais de cultura são
reconhecidos: a
cultura mista, a cultura suplementar e a rotação
de
culturas.
A cultura mista consiste na seleção de culturas
complementares para um crescimento simultâneo. Isso pode
melhorar
a utilização da terra, reduzir a
erosão, conservar
a água e aproveitar a complementação
natural das
plantas (por exemplo, uma planta utiliza o nitrogênio da
terra
enquanto outra o fornece). Os grupos de plantas complementares podem
ter nitritos inter-relacionados. Em culturas suplementares, uma planta
é considerada principal à outra que a suporta.
Esta
última é plantada intercalada, ou embaixo da
outra, como
no caso das árvores frutíferas. A
rotação
de culturas consiste em alternar as culturas que têm
diferentes
fases de crescimento. A rotação de culturas
resulta em
menor desgaste do solo e assegura a produtividade da terra pelo ano
inteiro, dependendo do clima.
PROUT defende a agricultura sustentável e o
equilíbrio
ecológico. Na medida do possível, fertilizantes
orgânicos devem ser usados. Essa medida mantém a
fertilidade do solo. “Compostagem”
avançada e
técnicas de combinação de plantio,
aliadas a uma
ênfase na pesquisa, podem trazer um imenso e harmonioso
progresso
na agricultura. Muitos grupos estão desenvolvendo e
implementando novas técnicas e sistemas, como a agricultura
orgânica e biodinâmica,
“permacultura”,
“compostagem” microbiais,
“radiônicas” e
muito mais. A agricultura descentralizada é bem mais
propícia para tais técnicas.
O controle da água é o ponto-chave para a
sustentabilidade. A plantação de
árvores na margem
de rios e lagos, programas de reflorestamento em massa,
recuperação de desertos, armazenamento de
águas
pluviais, poços, construção de
reservatórios e outras técnicas serão
implementadas na estrutura agrícola proutista. Na medida do
possível, as reservas subterrâneas de
água
serão conservadas, para manter o equilíbrio
ecológico.
5. Desenvolvimento Rural: Agroindústria e
Agrico-indústria
A pobreza rural é um dos maiores problemas do planeta. No
capitalismo, pouca atenção foi dada ao
desenvolvimento
das economias rurais. A industrialização tem sido
feita
de forma centralizada, afastando as populações
das
áreas rurais e criando centros urbanos cada vez maiores.
Essas
cidades, especialmente nos países do Terceiro Mundo, criam
numerosos problemas sociais e ecológicos, e em diversos
aspectos
falham em garantir qualidade de vida para os seus habitantes. Parece
também que não há nenhuma
solução
imediata para o êxodo rural e para a crise urbana global.
Então, algumas medidas devem ser tomadas para desenvolver as
áreas rurais, torná-las mais
sustentáveis e
transformá-las em comunidades humanas, contribuindo, assim,
para
a diminuição das populações
urbanas.
Enquanto a implementação de uma economia
descentralizada
e integrada representa a solução a longo prazo
para o
problema da urbanização e da pobreza rural, a
criação de empreendimentos agrícolas
(agro e
agrico-indústrias) significa um importante passo para a
revitalização da economia rural. Na maioria das
economias
rurais pobres, a maior fonte de renda é a
extração
de matéria-prima.
É necessário levar todas as indústrias
relacionadas com o processo de produção rural
para dentro
da própria área, gerando empregos rurais mais
qualificados, e dessa forma elevando o padrão de vida da
população local. Isso incluiria, por exemplo, o
processamento e a embalagem de alimentos, a
transformação
de matérias-primas em produtos industrializados, a
produção de óleo, a moedura, a
produção de fertilizantes, a
produção de
ferramentas etc.
A melhoria da educação, combinada com a
introdução de indústrias
domésticas
não-agrícolas, diversificará a
economia, dando-lhe
maior dinamismo. Dessa forma, será possível criar
qualidade de vida decente no meio rural. Além disso, com a
utilização de tecnologias modernas de
comunicação e com o acesso à
informação, haverá a possibilidade de
descentralizar a economia e formar pequenas comunidades
prósperas, proporcionando um padrão de vida
elevado.
6. Descentralização e
Auto-suficiência
De acordo com PROUT, o planeamento económico deve ser feito
a
partir da base, para que a experiência e o conhecimento da
população local sejam desenvolvidos. Isso implica
que a
melhor forma de desenvolver uma economia é por meio da
descentralização, ao invés da
centralização, que está presente nos
países
socialistas e capitalistas. A descentralização
é o
melhor sistema para a população local decidir seu
próprio destino económico. E como foi previamente
discutido, a descentralização é um
ingrediente
crucial para a democracia económica.
Para a descentralização ser bem-sucedida, deve
haver uma
estrutura económica coletiva. Nessa estrutura, a
motivação pelo lucro será
substituída pelo
desejo de produzir mercadorias para o consumo do povo. A
motivação pelo lucro está
freqüentemente em
desajuste com a idéia de produzir para o consumo. Os
capitalistas somente iniciam uma indústria onde existem
condições favoráveis para a
produção
e a comercialização de seus produtos, ignorando
quase
sempre as necessidades reais da população.
Em uma estrutura económica cooperativa, as unidades
económicas auto-suficientes serão a regra. Essas
unidades
devem ser incentivadas e fortalecidas. Isso requer uma abordagem
descentralizada, tanto para a indústria quanto para a
agricultura.
Auto-suficiência não significa somente a
produção local de alimento — o setor
industrial
também é altamente importante e não
pode ser
negligenciado. Portanto, PROUT apóia a
instalação
de todos os tipos de indústrias nas unidades
socioeconómicas.
7. Estrutura Tríplice de
Produção e Democracia Económica
No sistema económico proutista existem três
níveis
de organização da indústria. O maior
nível
é o das indústrias estratégicas, que
são
administradas pelos governos locais. Em seguida, vêm as
cooperativas e as indústrias privadas.
As indústrias estratégicas são aquelas
que
requerem grandes investimentos de capital para uma
produção em larga escala. Como exemplo, podemos
citar as
redes ferroviárias e o sistema telefônico. As
indústrias estratégicas também podem
possuir
níveis diferentes de descentralização;
a rede
ferroviária deve ser razoavelmente centralizada, enquanto a
produção de energia, embora considerada uma
indústria essencial, deve ser razoavelmente descentralizada
e
ajustada às condições locais. Em
virtude de seu
tamanho, seria difícil operar certas indústrias
estratégicas numa base cooperativista. Sendo assim, o
governo
deveria tomar a responsabilidade por essas indústrias. As
grandes indústrias estratégicas
deverão ser
gerenciadas pelo governo local. Todas essas indústrias devem
ser
administradas com base no lema: “Sem lucro, sem
prejuízo”, mas devem prover incentivos aos seus
trabalhadores, para maximizar a eficiência, a qualidade e a
felicidade.
Um direito básico da economia democrática,
é o
envolvimento dos trabalhadores no gerenciamento da
indústria.
Isso será melhor alcançado através do
sistema
cooperativo. As cooperativas de produtores e consumidores
são a
base da economia de PROUT.
As indústrias cooperativas devem ter uma escala de
produção menor, voltada principalmente as
necessidades
básicas, tais como vestuário, materiais de
construção, alimento, medicamentos, transporte e
a
maioria dos outros produtos e serviços. Para abastecer as
grandes cooperativas de produtores, várias pequenas
cooperativas
satélites deverão ser formadas. Por exemplo,
muitos dos
componentes necessários na indústria
automobilística podem ser produzidos por cooperativas
satélites e enviados para as fábricas de carro,
para a
montagem final. Dessa forma, muitas indústrias
descentralizadas
e altamente especializadas podem ser desenvolvidas em pequena escala.
Existirá um alto grau de autonomia num sistema assim.
Os pequenos negócios estão na categoria dos
empreendimentos privados, podendo ser administrados por uma
só
pessoa ou por um pequeno grupo de indivíduos. Esses
empreendimentos são indicados especialmente para a
produção de artigos não-essenciais ou
os bens e
serviços de luxo. Artesanato, ourivesaria e outros
serviços, como a administração de
restaurantes,
podem ser apropriados para essa categoria. Empresas privadas
também são importantes porque dão
grande incentivo
à criactividade individual e ao surgimento de novas
invenções.
Os proprietários dessas empresas privadas deverão
remunerar bem seus empregados, pois, do contrário, eles
deixarão seus empregos e irão para as
cooperativas. E se
uma empresa privada chegar a um limite de renda ou número de
empregados se tornar muito grande, os proprietários
poderão optar por um crescimento controlado, mantendo o
mesmo
tamanho, ou transformar a empresa numa cooperativa.
8. Racionalização (Planeamento da
Tecnologia e Desenvolvimento)
No sistema capitalista, a aplicação de
tecnologias
avançadas na indústria normalmente só
beneficia os
donos e os acionistas das empresas. Isso geralmente resulta em
desemprego. Isso é o resultado da expectativa de
maximização dos lucros e da
classificação
dos seres humanos como mais uma despesa.
Como a meta de PROUT é atender as necessidades da
população, ao invés de visar ao lucro,
qualquer
tecnologia que aumente a produtividade, servirá para
aumentar os
salários ou para diminuir a jornada de trabalho, sem
acarretar
perda para nenhuma das partes. Essa redução na
jornada
dependerá não só do aumento na
produção, mas também da demanda do
produto e da
oferta de mão-de-obra.
PROUT defende muito a auto-suficiência regional, ainda que
esteja
claro que algumas regiões não tenham sido
abençoadas com os mesmos recursos que outras. No entanto, as
descobertas científicas podem ajudar as áreas
deficientes
a sobrepujar a falta de recursos naturais. Isso virá
através da produção de
matérias-primas
sintéticas, e de novos métodos de
utilização dos recursos existentes.
9. Tributação e Sistema
Bancário
Ao invés de tributar a renda, como é a
prática dos
governos actuais, PROUT propõe que os impostos sejam
aplicados
somente na produção. Isto seria algo semelhante
ao IPI
(Imposto sobre Produtos Industrializados) aplicado no Brasil.
Obviamente, a concentração da
arrecadação
em um só imposto deverá ser complementada com
outras
medidas que mantenham o mesmo nível de
arrecadação
ou reduzam as despesas, para que não haja
desequilíbrio
entre a receita e a despesa governamental. Mercadorias essenciais
seriam livres de impostos. Dessa forma, a burocracia e as despesas
governamentais seriam reduzidas, e a receita do governo iria refletir
com precisão a actividade económica. Com a
suspensão
do imposto de renda, a economia tomaria um novo impulso, pois as rendas
não declaradas para a Receita Federal seriam depositadas
abertamente em contas bancárias, aumentando o estoque de
capital
da economia.
O sistema bancário se desenvolveria através do
sistema
cooperativo. Mas haveria também um banco central controlado
pelo
governo. É importante frisar dois pontos no que diz respeito
ao
sistema bancário. Primeiro, os bancos existem para prestar
serviços às pessoas e não para
aumentar a riqueza
de indivíduos privilegiados. Regras cuidadosas devem ser
estabelecidas para controlar a receita dos bancos. Em parte, esse
problema será resolvido com o sistema cooperativo. Em
segundo
lugar, de acordo com o sistema bancário proutista, o
dinheiro
só será impresso se houver lastro nas reservas
governamentais. De outra forma, a impressão
contribuirá
bastante para a espiral inflacionária e todos os seus
problemas
subseqüentes. Por isso, é necessário um
controle
rigoroso.
Os bancos emprestarão dinheiro às cooperativas
agrícolas e às indústrias e
possivelmente aos
indivíduos, para empreendimentos produtivos, isto
é,
somente para investimentos que gerem retorno. A máxima do
sistema bancário proutista é “manter o
dinheiro em
circulação”. Quanto mais o dinheiro
circular, maior
será sua produtividade. O dinheiro estagnado não
contribui em nada para a vitalidade da economia, sendo essa uma das
causas da depressão económica. Portanto, o
comércio
e os investimentos devem crescer cada vez mais; e o dinheiro deve
circular cada vez mais rápido. Quanto mais ele mudar de
mãos, mais aumentará o poder de compra do povo e
a
vitalidade da economia.
10. Cooperativas de Trabalho e Consumo
As cooperativas de trabalho são consideradas muito
importantes
em PROUT. Os prestadores de serviços, como os
médicos, os
dentistas, os encanadores etc., podem se unir e formar cooperativas,
quando a prestação do serviço
não for
possível num negócio individual. Portanto, existe
a
perspectiva de que certos serviços sejam oferecidos tanto
pela
iniciativa privada, como pelo sistema cooperativo.
As cooperativas de consumo serão responsáveis
pela
distribuição da maior parte das mercadorias
essenciais.
Na medida do possível, PROUT procura eliminar o
intermediário, que lucra mas não contribui para a
produtividade. Numa economia descentralizada, as cooperativas de
consumo são muito práticas e importantes. As
cooperativas
de consumo já se tornaram populares em muitos lugares,
devendo,
portanto, esse sucesso ser estendido ao abastecimento de outros
produtos básicos.
Capítulo 4 - Dimensão
Política de PROUT
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