Capítulo 4 - Dimensão
Política de PROUT
- Democracia
Selectiva e sem Partidos
- Sistema
Eleitoral Selectivo
- Comités
Sociais
- Governo
Mundial
- Constituição
e Leis
1. Democracia Selectiva e
sem Partidos
A democracia política actualmente praticada no mundo
obtém sucesso razoável, mas não
consegue resolver alguns problemas básicos, por falta de
democracia económica. Classicamente definida como
“Governo do povo, para o povo e pelo povo”, a
democracia representa, na verdade, o governo de uma minoria. Quando os
interesses escusos influenciam os eleitores ou os políticos,
quer por coerção, propaganda, suborno ou
hábil manipulação da mídia,
é fácil ver que os interesses reais,
até mesmo da maioria, nem sempre são atendidos.
Além disso, com discursos eloqüentes,
líderes corruptos e sem instrução
podem ser eleitos. Está claro que a decisão da
maioria não é imaculável,
especialmente quando os políticos são corruptos e
a mídia — controlada por grandes
corporações — influencia a
preferência dos eleitores. A tomada do poder pelo povo nunca
ocorreu realmente. Sempre será necessário que um
pequeno grupo de pessoas guie as massas. Mesmo no comunismo isso
acontece. O que importa é que esses representantes realmente
defendam os interesses das massas.
PROUT reconhece que certos pré-requisitos são
necessários para que a democracia política tenha
sucesso. Os candidatos políticos devem ter ética,
educação e consciência social; e os
eleitores devem também estar conscientes disso. Portanto,
é necessário um padrão elevado de
educação e ética para que a democracia
obtenha sucesso. É imperativo que os líderes
tenham conduta exemplar e motivação
humanitária.
Actualmente, o sucesso ou o fracasso de um candidato nas pesquisas
está mais relacionado com o dinheiro gasto na campanha, o
prestígio intrapartidário e a
projeção na mídia do que com suas
motivações e seu padrão de
comportamento. Em muitos países, os votos são
comprados e vendidos, e a corrupção é
a regra e não a exceção. Normalmente,
é quase impossível as pessoas que pautam suas
vidas em princípios morais terem qualquer
influência no ramo da política. Nos
países desenvolvidos, a situação
não é muito melhor, pois prevalece o controle
político e financeiro dos meios de
comunicação, e a população
tem pouca consciência socioeconómica.
Um outro problema da atual democracia política é
que os candidatos dependem das contribuições dos
ricos para suas campanhas, e por isso eles terminam atendendo as
exigências dos setores influentes da sociedade. Isto
significa que num país democrático, nem todas as
decisões tomadas pelos líderes refletem os
interesses da sociedade como um todo. Os líderes
políticos são forçados a tolerar
grupos poderosos e até mesmo pessoas hipócritas e
sem qualquer princípio moral só porque estes
detêm o poder financeiro. Se eles ignorarem tais pessoas,
não conseguirão nem manter seus
escritórios. E devido à necessidade
contínua de financiamento para suas campanhas eleitorais, o
dinheiro assume um papel fundamental.
O sistema de partidos políticos demonstra também
ter defeitos significativos. As qualificações do
candidato, a integridade pessoal e o espírito de
serviço à sociedade desempenham papéis
secundários em relação ao
prestígio dentro do partido. Os candidatos são
forçados a seguir a política do partido e
não podem efetivamente concorrer às
eleições sem a aprovação do
mesmo. Os partidos políticos passam a ser controlados por
interesses financeiros. Assim sendo, PROUT apoia uma
democracia sem partidos.
De acordo com PROUT, os candidatos políticos independentes
terão que publicar sua plataforma política. A
incapacidade de implementar seus programas poderá resultar
na entrega do cargo, de modo a evitar que os políticos
façam promessas políticas somente para serem
eleitos. Um sistema sem partido é de fundamental
importância para diminuir a corrupção.
É natural que pessoas com idéias afins se
associem e trabalhem juntas por um interesse comum; na verdade seria
impossível efetuar medidas positivas de forma independente.
Contudo, está claro que a formalidade da
afiliação partidária apresenta
desvantagens significativas. Uma abordagem mais equilibrada, sem a
formalidade dos partidos e a necessidade de
aprovação partidária reduziria esses
problemas.
Portanto, além de defender a democracia económica,
PROUT apoia um sistema político
democrático com certas modificações.
Além dos três poderes — Executivo,
Legislativo e Judiciário — será criado
um quarto poder, que poderá ser chamado de
“Ministério das Finanças”,
por exemplo. É importante frisar que todos esses poderes
devem funcionar independentes. Esse poder adicional será
importante para monitorar os gastos federais e tornar
público os aspectos fortes e fracos dos programas de
governo. Esse poder controlaria as contas dos outros três
departamentos.
É preciso, também, ressaltar que não
deverá haver envolvimento político do governo
central nas questões financeiras, pois o sistema económico será descentralizado. Os governos locais
serão responsáveis pelo controle das
indústrias estratégicas, mas para esse fim
deverão ser contratados administradores independentes
— eles não ficarão subordinados a
políticos, cujas qualificações
são muito diferentes. A separação do
poder político do poder económico é
fundamental.
2. Sistema Eleitoral Selectivo
Actualmente, a maioria dos países adopta o sistema de direito
ao voto com base na idade do eleitor. Esse sistema foi escolhido por
haver um grande obstáculo moral com
relação à exclusão de
pessoas do processo eleitoral. É claro que surge a
questão de quem teria o direito moral de decidir quem pode e
quem não pode votar. Então, com o voto por idade
evita-se dilema.
Esse sistema pressupõe que, ao atingir certa idade, as
pessoas tenham a capacidade, justa e sensata, de pesar os
prós e os contras de cada candidato e fazer a melhor
escolha. Se houvesse um excelente sistema educacional, isso poderia
ocorrer, mas infelizmente os factos são diferentes hoje em
dia. Não apenas há apatia generalizada entre os
eleitores (a julgar pelo baixo comparecimento às urnas), mas
também pouca conscientização em
vários lugares do mundo.
Como poderá, então, a sociedade adoptar um
método ideal para a seleção de pessoas
capazes de votar? PROUT sugere que a maneira mais justa de seleccionar
eleitores é por meio de um tipo de teste, que
avaliará o conhecimento e a capacidade do
indivíduo de participar no processo eleitoral. Isso pode ser
denominado “sistema eleitoral selectivo”. Da mesma
forma que as pessoas têm que obter Carteira de
Habilitação para dirigir um veículo,
também deverá ocorrer com os eleitores. No
passado, houve muita distorção no que diz
respeito à classificação das pessoas
habilitadas a votar. Essa classificação muitas
vezes serviu como forma de manter certos grupos no poder. Em certa
época, no sul dos Estados Unidos, de forma imoral impediram
que os negros votassem. Para esse sistema ser bem-sucedido,
é imperativo que a educação seja
gratuita para todos. O envolvimento de políticos no processo
qualificativo dos eleitores deve ser completamente proibido.
Comitês sociais públicos de educadores
qualificados devem assumir tal responsabilidade.
Já que muitos grupos de pessoas lutaram duramente para obter
o direito ao voto, é possível que esse aspecto
específico de PROUT venha a causar algum receio,
à primeira vista. Entretanto, uma das metas de PROUT
é a liberdade democrática verdadeira, sob a forma
de democracia económica. A democracia política que
temos actualmente fornece apenas um mero espectro ou uma
ilusão da verdadeira liberdade. É preciso haver
uma combinação equilibrada de ambas, para o
benefício de todos.
Todos devem ter a oportunidade de fazer o exame qualificativo para o
direito ao voto em eleições políticas,
e não deve haver discriminação nesse
processo, nem na educação. Pode-se notar que o
sistema eleitoral selectivo apresenta vantagens claras em
relação ao sistema atual. Eleitores com bom
nível cultural e conscientes são menos sujeitos a
serem enganados pela extraordinária máquina da
propaganda política. Nesse caso, o dinheiro não
influenciará o resultado das eleições.
3. Comitês Sociais
Na democracia política, muitos problemas permanecem sem
solução, devido à imensa disparidade
entre os ricos e os pobres. Mesmo nos países desenvolvidos,
as pessoas mais ricas, representando menos de 1% da
população, detêm metade da riqueza,
enquanto metade da população não
recebe um salário suficiente para sua
sobrevivência.
PROUT apoia a democracia sem partidos e seletiva. Para
viabilizar esse sistema, PROUT propõe a
criação de Comitês Sociais populares,
ou seja, formados por indivíduos interessados em servir
à comunidade. Os membros desses comités
voluntários não serão candidatos a
cargos eletivos, uma vez que sua função
será prestar serviço social bem coordenado.
O objetivo desses comités será assegurar a
democracia económica, a sustentabilidade ambiental e a
acessibilidade aos requisitos básicos pelas
populações locais. Esses comités
tratarão de questões sociais, culturais,
científicas e de problemas relativos ao bem-estar da
população, e servirão como
catalisadores da organização
comunitária. Os comités sociais ainda
cuidarão de vários assuntos, tais como a
educação, a assistência social, a
garantia aos animais de condições justas de vida,
a cultura, a arte, a indústria, o comércio, a
agricultura etc. Tais comités serão importantes
para a implementação de PROUT. Para implementar
esses comités sociais proutistas, não é
necessário aguardar mudanças nos sistemas económico e político. Eles podem ser formados
imediatamente por pessoas que anseiam por
transformação social e
redução da pobreza. Eles poderão
também organizar movimentos económicos locais para
garantir a auto-suficiência e iniciar projetos de
cooperativas de produtores e consumidores, cooperativas de
crédito etc. Suas atividades poderão,
então, se estender às esferas social e cultural,
promovendo a alfabetização, as artes, a
educação de nível superior etc. Os comités sociais deverão ser compostos por pessoas
de todos os segmentos da sociedade, e deverão ser os mais
representativos possíveis. A proposta proutista de uma
democracia sem partido político e seletiva pode ser testada
e melhorada com a estrutura administrativa dos comités
sociais.
Tais comités sociais terão o importante papel de
avaliar e vetar os candidatos a cargos eletivos. Além de
estarem livres das imposições
partidárias, os comités sociais também
estarão isentos do tradicional compromisso de conservar uma
boa imagem através de propagandas financiadas por grandes
grupos económicos. Uma vez que sua estrutura não
terá vínculos partidários e que
será merecedora de confiança, os comités sociais poderão também
monitorar os cargos governamentais e controlar os focos de
corrupção. Os membros dos comités
sociais poderão desempenhar funções
governamentais, mas em hipótese alguma eles
poderão se engajar em política
partidária. Eles deverão fazer a
seleção de candidatos de acordo apenas com o
mérito de cada pessoa.
Tal apoio aos líderes moralistas ajudará bastante
a solucionar as falhas do sistema político atual e
fortalecerá a cidadania local. Mesmo assim,
haverá uma luta perpétua entre forças
progressistas e retrógradas. A luta de classes (ver
Capítulo 1) e outras formas de conflitos sociais certamente
continuarão a existir, em maior ou menor escala. A
corrupção de um dos membros dos comités
sociais poderá ocorrer ou não, mas
será muito mais difícil, por causa da integridade
dos outros membros do comitê, e por haver maior proximidade
do público com esses comités.
O cinismo de algumas pessoas pode nos levar a crer que o homem
é corrupto por natureza e que os comités sociais
populares locais serão tão suscetíveis
à corrupção quanto os partidos
políticos do sistema capitalista. Alguns podem assim porque
obviamente nunca trabalharam com populações
carentes nem dedicaram afeto a elas. Nem sabem o quanto é
gratificante receber o amor dessas pessoas em recompensa.
PROUT considera os comités sociais como o meio
básico para os sadvipras (maiores
explicações no Capítulo 1) servirem
à sociedade. Mas quem são os sadvipras? Sadvipras
são pessoas moralistas, inteligentes e compassivas, com
convicções e práticas virtuosas, que
lutam contra a injustiça e a corrupção
na sociedade e se empenham pelo bem-estar de todos. Os
líderes locais, moralmente íntegros,
autodisciplinados e empenhados na luta pela auto-suficiência
das populações, serão devidamente
avaliados e, se aprovados, ocuparão esses postos de
responsabilidade. Esses serão os sadvipras.
Os líderes moralistas (sadvipras) têm objetivos
diferentes da maioria dos políticos capitalistas. A maioria
dos partidos políticos não tem propostas que
garantam o suprimento das necessidades básicas a todos ou o
pleno emprego. Os políticos sem uma base espiritual evitam
interferir na economia capitalista e nos monopólios,
preferindo fazer discursos eloqüentes, demonstrar publicamente
que são a favor da paz ou apoiar ajudas
financeiras aqui e acolá. Para levar adiante a luta contra
as forças malignas e a corrupção, as
pessoas devem se fortalecer internamente, desenvolvendo-se nas
três esferas: física, mental e espiritual.
Entretanto, os políticos desonestos jamais
recorrerão às práticas espirituais.
Os sadvipras, por outro lado, têm
motivação para o serviço
desinteressado. Eles têm um objetivo espiritual, que
só será conseguido através do
próprio sacrifício pelo bem-estar de todos. Na
medida em que aprimorarem suas práticas espirituais, eles se
tornarão menos egoístas. O serviço aos
necessitados é uma grande motivação e
satisfação para eles.
4. Governo Mundial
Muitas guerras e conflitos entre nações ocorrem
porque certas pessoas têm sentimentos mesquinhos de
nacionalismo, religião, racismo etc. Esses sentimentos
são os responsáveis pelo imperialismo económico. É claro que a humanidade deve tentar
eliminar todos esses conflitos. PROUT propõe como
solução o estabelecimento de um Governo Mundial,
para atender os interesses de toda a humanidade. Tal sistema
deverá garantir os direitos humanos cardinais.
Também é necessário estabelecer uma
estrutura constitucional universal; um código penal comum; e
a garantia das necessidades básicas da vida para todos.
A criação do Governo Mundial pode proporcionar a
reformulação e o fortalecimento das
Nações Unidas. Na primeira fase, um corpo
legislador será formado. Ele desenvolverá uma
Constituição Mundial, que impedirá
qualquer país de aprovar leis prejudiciais aos interesses
das minorias. A verdadeira execução e
implementação dessas leis será feita
pelos governos locais. Será uma responsabilidade dos
legisladores mundiais fornecer as diretrizes para os corpos
legislativos locais, mas não lhes caberá nenhum
poder administrativo. O Governo Mundial deve consistir de Senado e
Congresso, que representarão cada
nação e sua população. A
atual Assembléia Geral das Nações
Unidas e a proposta de criação da
Assembléia do Povo poderão servir como
órgãos apropriados para essas
funções.
Na primeira fase de estabelecimento desse corpo legislativo, a
ênfase será eliminar ou reduzir os fatores que
causam conflitos. Os interesses imperialistas se reduziriam
através da formação de unidades
socioeconómicas auto-suficientes e descentralizadas.
Em fases subseqüentes, os poderes executivo e judicial do
Governo Mundial serão gradativamente fortalecidos. As
forças militares nacionais serão gradativamente
substituídas por uma força militar mundial. Isso
acontecerá quando as unidades socioeconómicas
tenderem cada vez mais a se combinar em
federações maiores.
O aspecto económico fundamental de PROUT é a
garantia das necessidades básicas a todos. Isso
restabelecerá o equilíbrio económico
mundial e ajudará a realizar a verdadeira democracia económica. Há certamente muitos problemas
potenciais e detalhes a serem considerados nesse processo, mas PROUT
propõe um modelo viável, deixando os detalhes
para serem resolvidos durante o processo de
aplicação prática.
A idéia de um governo mundial, associado à
descentralização e à democracia económica, pode significar a almejada meta de conquista da
paz permanente e da síntese social. Não devemos
esquecer que PROUT defende a espiritualidade, no seu sentido mais
universal, como o único fator que pode unir verdadeiramente
as pessoas. Portanto, sem a crescente aceitação
de uma filosofia espiritual de vida, até mesmo um governo
mundial benevolente não poderá, sozinho,
estabelecer unidade, segurança e paz.
5. Constituição e Leis
Para viabilizar a criação de um Governo Mundial,
é necessária uma
Constituição Mundial. Essa carta de direitos
terá de garantir o seguinte: segurança total para
os seres humanos, as plantas e os animais; poder de compra
mínimo para todos os cidadãos, de todos os
países; quatro direitos fundamentais: prática
espiritual, legado cultural, educação e
expressão na língua nativa; e, finalmente, a
suspensão de qualquer um desses direitos, se eles vierem a
entrar em conflito com os valores humanos universalmente aceites. Por
exemplo, a prática de envolver os pés das
mulheres com um pano, por questões estéticas
(realizada na China antiga), mesmo sendo um legado cultural, infringe
os valores e os direitos humanos básicos e, portanto, deve
ser condenada.
PROUT propõe que três princípios
sociopolíticos sejam incluídos na
constituição mundial, para evitar que as
injustiças, a desunião e a
exploração continuem a afligir a humanidade. O
primeiro é que as pessoas não podem ser demitidas
de seus empregos a menos que lhes seja oferecida uma alternativa de
trabalho. O segundo é que as pessoas jamais devem ser
forçadas ou pressionadas a aderir a uma religião
que não seja a sua preferência. O terceiro
é que nenhuma língua materna deve ser suprimida.
Emprego, prática espiritual e língua materna
(abordados no próximo capítulo) são
muito importantes para o indivíduo. Qualquer
mudança nessas áreas pode significar um golpe em
na auto-estima das pessoas. Tal violação
certamente impediria o progresso humano.
Actualmente, todas as constituições do mundo
falham em garantir esses direitos. A aplicação
prática dos pontos acima mencionados ajudará a
resolver esses problemas. Do mesmo modo, o código penal
deverá se basear em princípios constitucionais
comuns. Isso exigirá uma revisão geral dos atuais
conceitos de vício e virtude, crime e pena, e
implicará na adoção de uma abordagem
neo-humanista, não restrita a quaisquer valores sociais ou
religiosos.
Há três tipos de lei: a lei cardeal, a lei moral e
a lei humana. A lei cardeal refere-se à lei aceita
universalmente — os princípios básicos,
como os direitos existenciais. As leis humana e moral são
baseadas em valores mutáveis que variam de
religião para religião, de cultura para cultura.
Os seres humanos devem se empenhar para minimizar as
diferenças entre essas leis, até que elas se
tornem uma só. As leis, é claro,
variarão de acordo com tempo, lugar e pessoa. Todos os
esforços devem ser feitos para conseguir universalidade
entre as leis. Os valores espirituais universais, e não os
valores sociais e religiosos, deverão servir de base.
Capítulo 5 - Dimensão
Cultural de PROUT
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